Nesta terça-feira, 14, a Santa Sé publicou uma carta do Papa Leão XIV destinada aos cardeais. Nela, aborda a identidade da missão da Igreja a partir de reflexões feitas no último consistório, realizado em janeiro, sobre a exortação apostólica Evangelii Gaudium.
No início do texto, o Pontífice transmite os seus votos cordiais e cordiais e fraternos, para que a paz do Senhor ressuscitado possa sustentar e renovar o “mundo sofredor”. Além disso, agradece a participação no último consistório, realizado em janeiro, expressando seu apreço pelo trabalho realizado nos grupos e pelas contribuições feitas na assembleia.
“As contribuições recolhidas constituem um patrimônio precioso, que desejo continuar a salvaguardar e a desenvolver através do discernimento eclesial”, sinaliza o Santo Padre. Na carta, expressa seu desejo em concentrar-se no que foi desenvolvido em relação à exortação escrita pelo Papa Francisco, especialmente sobre a missão e a transmissão da fé.
Anúncio querigmático
Leão XIV reconhece, a partir das contribuições dadas pelos cardeais, que esse documento continua a representar um ponto de referência decisivo: não se limita a introduzir novos conteúdos, mas centraliza o querigma como o coração da identidade cristã e eclesial. Trata-se de um “novo fôlego”, capaz de iniciar processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, orientando assim profundamente o caminho da Igreja.
A nível pessoal, cada batizado é convidado a renovar seu encontro com Cristo, passando de uma fé simplesmente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada. “Nessa jornada, a própria qualidade da vida espiritual também é abordada, na primazia da oração, no testemunho que precede as palavras e na coerência entre fé e vida”, escreve o Papa.
A nível comunitário, apela-se a uma transição de uma “pastoral de conservação” a uma “pastoral missionária”, em que as comunidades são sujeitos vivos do anúncio — comunidades acolhedoras, capazes de linguagens compreensíveis, atentas à qualidade dos relacionamentos e aptas a oferecer espaços de escuta, apoio e cura.
A nível diocesano, emerge a responsabilidade dos pastores em apoiar decisivamente a ousadia missionária, garantindo que ela não seja sobrecarregada ou sufocada por excessos organizacionais e incentivando um discernimento que ajude a reconhecer o que é essencial.
Unidade na missão
“De tudo isso surge uma compreensão da missão profundamente unitária: uma missão cristocêntrica e querigmática, nascida de um encontro com Cristo capaz de transformar vidas e que se propaga por atração, e não por conquista. É uma missão integral, que reúne anúncio explícito, testemunho, compromisso e diálogo, sem ceder à tentação do proselitismo ou a uma lógica de simples preservação ou expansão institucional”, escreve o Pontífice.
Mesmo quando se reconhece minoritária, prossegue o Santo Padre, a Igreja é chamada a viver sem complexos, como um pequeno rebanho que leva esperança a todos. O objetivo da missão não é a sua própria sobrevivência, mas a comunicação do amor com que Deus ama o mundo.
Próximo consistório
Leão XIV cita ainda algumas sugestões específicas que devem ser acolhidas e meditadas com mais atenção, como uma reavaliação do que foi compreendido da Evangelii Gaudium e do que permanece desconhecido e não implementado, especialmente quanto à reforma dos programas de iniciação cristã; a valorização das visitas apostólicas e pastorais como oportunidades autênticas de reflexão querigmática e crescimento na qualidade dos relacionamentos; e a reconsideração da eficácia da comunicação eclesial a partir de uma perspectiva mais claramente missionária.
“Com gratidão, renovo meus agradecimentos pelo seu serviço e sua contribuição para a vida da Igreja. Uma comunicação mais detalhada será enviada em seguida, em preparação para o próximo Consistório, que ocorrerá nos dias 26 e 27 de junho”, conclui o Papa.
Fonte: Canção Nova







