O Papa Leão XIV orientou e encorajou a missão da Conferência Episcopal da Itália ao receber, nesta quinta-feira, 28, os participantes da 82ª Assembleia Geral do organismo. O Papa repassou algumas realidades intrínsecas à missão evangelizadora da Igreja, diante das quais os bispos, pastores do povo, são chamados à atitude da escuta e da coragem de fazer o que é essencial.
Com a audiência de hoje, o Pontífice concluiu os trabalhos da Assembleia, realizados de 25 a 28 de maio. Em tempos como os atuais marcados pela complexidade, o Papa reconheceu a possibilidade de se sentir o peso de transmitir a fé, a dificuldade de envolver as novas gerações. “Mas o Evangelho nos fortalece.”, encorajou. A primeira tarefa dos pastores do povo é ter o olhar de Deus, não se queixar dos “terrenos áridos”, e saber ver com os Seus olhos o que ele prepara.
Prioridade: o Evangelho
Recordando o ensinamento de São Francisco de Assis, o Papa lembrou que a prioridade deve ser sempre o Evangelho, pois é dele que nasce a fé, como encontro vivo com Cristo. “Hoje, no contexto em que somos chamados a atuar, confrontados com outras perspectivas de vida e desafios antropológicos sem precedentes, trazer o Evangelho de volta ao centro é a dádiva que entusiasma as nossas vidas como bispos e a urgência que nos impulsiona.”
O Papa reforçou a necessidade de renovar a atenção sobre a iniciação cristã, “ventre” onde se gera a fé, não apenas preparação para os sacramentos. Isso porque a fé é transmitida e cresce onde as comunidades são vivas e hospitaleiras, onde os pobres não são destinatários de um serviço, mas irmãos e irmãs nos quais o Senhor fala, onde há diálogo com os jovens e onde as famílias não são deixadas sozinhas, exemplificou.
“Justamente por isso, nós, bispos, somos chamados a uma escuta profunda: escutar a Palavra de Deus, escutar o Povo de Deus e, portanto, escutar os sinais dos tempos, escutar também aquilo que põe em questão nossos hábitos pastorais. Onde a escuta é verdadeira, a comunidade não se fecha em si mesma, mas se torna um lugar de discernimento e missão e, para isso, sabe se renovar. Este é o significado do Caminho Sinodal”.
A Igreja não se mede por números
O Pontífice também orientou que a organização da ação da Conferência Episcopal seja modelada à luz das necessidades da missão e das condições históricas mutáveis. E não se trata de “reduzir tudo à eficiência administrativa”, mas sim analisar qual estrutura ajuda a melhor anunciar o Evangelho e possibilitar uma participação eficaz, efetiva e fecunda.
“O Senhor não nos pede para medir a fecundidade da Igreja pelos critérios de números, visibilidade ou influência. ‘Quando olhamos com os olhos de Deus, descobrimos que Ele escolheu o caminho da pequenez, para descer entre nós. […] Essa lógica da pequenez é a verdadeira força da Igreja.’”
Ter a coragem do essencial
Já concluindo seu discurso, o pedido final do Papa foi para que os bispos tenham a coragem do essencial. Exortou a ter comunidades menos preocupadas em conservar tudo e mais livres para anunciar Cristo; a ter paróquias acolhedoras e missionárias; a ter coragem de se deixar evangelizar pelos pobres.
“Um povo nasce de mães e pais na fé, de comunidades que sabem dizer, com suas vidas antes mesmo que com palavras: ‘Encontramos o Messias’ (João 1:41). A Itália precisa desse testemunho.”
Fonte: Canção Nova







