O Papa Leão XIV recebeu, nesta segunda-feira, 5, representantes da Vida Consagrada da Coreia que vivem em Roma. Na audiência, realizada na Sala Clementina, o Pontífice destacou o testemunho dos mártires coreanos e pediu aos sacerdotes, religiosos e religiosas que sejam promotores da reconciliação e da paz. Ao saudar em coreano o grupo de 170 consagrados, Leão XIV afirmou que eles “vêm de longe, é verdade, mas aqui estão em casa”, pois a fé recebida em sua terra natal encontra suas raízes junto às memórias dos apóstolos Pedro e Paulo e, em Roma, pode receber “novo ímpeto missionário”.
O Santo Padre também recordou a preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul, em 2027, e congratulou-se pelos 25 anos da inauguração da sede do Pontifício Colégio Coreano.
Guardiões da memória, testemunhas da esperança
Ao recordar a história da Igreja na Coreia do Sul, Leão XIV a apresentou a partir de duas palavras: “memória” e “esperança”. A primeira remete à forma singular como a fé cristã começou a se difundir no país, inicialmente por meio de textos cristãos; a segunda nasce de Cristo Ressuscitado.
O Pontífice também recordou o testemunho dos mártires em uma história marcada por perseguições, guerras, pobreza e divisões. Entre eles, citou o Venerável Tomás Choe Yang-Eop (1821–1861), segundo sacerdote da história coreana, conhecido como “mártir do suor” pelo intenso trabalho de evangelização realizado durante 11 anos, até consumir a própria vida no serviço.
Segundo o Papa, iluminados pelo Evangelho, os mártires são exemplos de “fortaleza cristã” e mostram que o testemunho da fé passa pela entrega cotidiana da própria vida. “Nosso tempo precisa exatamente disso: de homens e mulheres que tenham a coragem de fazer o bem, mesmo quando isso custa. Aproximem-se daqueles que estão sozinhos, apoiem quem está cansado, procurem quem se afastou. Tenham a coragem de perdoar, de recomeçar, de dialogar. O bem nem sempre é reconhecido e muitas vezes exige esforço, mas é essa coragem cotidiana da caridade que torna credível o nosso anúncio do Evangelho.”
Artífices da paz e da reconciliação
Leão XIV ressaltou que a força para viver dessa forma nasce da amizade com Jesus Cristo, que “abre à fraternidade”. Por isso, incentivou os consagrados a alimentarem essa relação na Eucaristia, na escuta da Palavra, na oração e no silêncio diante do Senhor.
O Papa também destacou a importância da sinodalidade e da comunhão entre pessoas de diferentes dioceses, institutos e congregações. Diante da realidade da Península Coreana, que ainda carrega “a dolorosa ferida da divisão”, pediu aos presentes que sejam homens e mulheres de reconciliação.
“Peço-lhes que sejam sempre homens e mulheres da reconciliação. A paz começa no coração e nas relações cotidianas, quando ouvimos em vez de julgar, perdoamos em vez de guardar rancor, escolhemos a comunhão em vez do confronto. Sejam unidos e sejam artífices da paz.”
O Pontífice encorajou ainda a oração e o empenho para que sejam abertos novos caminhos de encontro e para que “o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente em todas as partes da Península Coreana e do mundo”.
JMJ de Seul: encontro entre memória e futuro
Ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude de Seul, que será realizada de 3 a 8 de agosto de 2027, Leão XIV afirmou que o encontro tornará visível esse testemunho de fé. Jovens de diversas partes do mundo irão a uma terra onde, recordou, o Evangelho cresceu por meio do testemunho dos mártires. A edição de Seul será a primeira JMJ realizada em um país no qual os cristãos são minoria e a segunda promovida na Ásia, depois de Manila, nas Filipinas, em 1995.
Para o Papa, a Jornada deverá ser “um grande encontro entre a memória e o futuro”, no qual os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens a recebem para levá-la “pelas estradas do mundo”. “Ouçam os jovens, caminhem com eles e ajudem-nos a descobrir que seguir a Cristo não diminui a liberdade, mas a torna plena; que a fé não restringe a vida, mas abre para ela um horizonte mais amplo.”
Por fim, Leão XIV incentivou os consagrados a prepararem a JMJ “com paixão”, tendo presentes as palavras de Jesus: “Tenham coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33). Segundo o Pontífice, os mártires coreanos compreenderam que sua esperança não dependia de circunstâncias favoráveis, “mas da certeza de que Cristo já havia vencido”.
Fonte: Canção Nova








