O diálogo como caminho para solucionar problemas, a defesa da dignidade humana diante dos avanços tecnológicos e a valorização da contribuição das mulheres. Esses foram alguns dos pontos destacados pelo Papa Leão XIV ao receber, nesta segunda-feira, 5, membros da Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano e da Associação de Mulheres no Vaticano.
Durante a audiência, o Pontífice apresentou diretrizes para a construção de uma comunidade de trabalho baseada no respeito, na equidade, na colaboração e na ajuda recíproca. As duas associações representam diferentes realidades profissionais dentro da Cidade do Vaticano. A Associação de Mulheres no Vaticano, fundada em 2016, foi a primeira organização inteiramente feminina criada no Estado.
Leão XIV agradeceu aos presentes pela “dedicação e espírito de serviço” nos diferentes organismos da Sé Apostólica. Diante dos desafios atuais, especialmente dos avanços da Inteligência Artificial, pediu que seja preservada “a centralidade insubstituível da pessoa humana e a dignidade inalienável do trabalho”. Segundo o Papa, o trabalho “não é um mero instrumento”, mas uma realidade que “expressa e aumenta a dignidade de nossa vida”.
A contribuição das mulheres
Ao falar sobre a qualidade das relações no ambiente profissional, Leão XIV destacou a contribuição das mulheres para fortalecer “o estilo de colaboração, de escuta recíproca e de atenção às situações difíceis”.
“A presença das mulheres é uma riqueza que deve ser reconhecida e valorizada cada vez mais. Elas trazem, além de uma sensibilidade particular para com as pessoas e as relações, os talentos humanos, profissionais e intelectuais inerentes à experiência e ao pensamento feminino”, afirmou.
O Pontífice ressaltou ainda a “competência, capacidade de discernimento, criatividade e concretude” das mulheres. Segundo ele, essas características “enriquecem a vida das instituições e contribuem para uma perspectiva mais ampla sobre a realidade e os problemas que se encontram”.
Comunidade e unidade
Leão XIV também recordou que todos aqueles que trabalham na Santa Sé, apesar das diferentes funções, colaboram para uma mesma missão. “Com igual dignidade, todos contribuem, cada um em seu papel e com seu compromisso profissional, para a mesma missão”, afirmou.
Essa responsabilidade, acrescentou, deve se manifestar na “fidelidade escrupulosa a todas as tarefas e deveres atribuídos” e no “zelo, na diligência e profissionalismo” daqueles que participam das atividades da Sé Apostólica. Retomando os ensinamentos de seus predecessores, o Papa indicou dois conceitos fundamentais para quem trabalha a serviço da Santa Sé: “comunidade” e “unidade”.
“Todos aqueles que, a título e com funções diferentes, são chamados a colaborar com seu trabalho no ministério do Papa, constituem uma comunidade eclesial, participante, em espírito de fé e unidade, da única e universal missão que o Senhor Jesus confiou ao Apóstolo Pedro e aos seus sucessores.”
Diálogo como “via principal”
Ao abordar a atuação das associações, Leão XIV recordou São João Paulo II, que reconheceu a colaboração da Associação dos Leigos Funcionários do Vaticano para promover o espírito de comunidade. Ao mesmo tempo, ressaltou o ensinamento de seu predecessor de que não está de acordo com a Doutrina Social da Igreja que organizações dessa natureza se encaminhem para o conflito ou a luta. Nesse contexto, o Papa apontou o diálogo como a “via principal” para enfrentar as dificuldades.
Leão XIV exortou as duas associações a percorrerem esse caminho “sempre, com confiança e criatividade”, tanto na busca de soluções adequadas para os problemas enfrentados em conjunto quanto na construção cotidiana da comunidade de trabalho.
Valor e competência de cada pessoa
O Pontífice também reforçou o apelo para “relançar o diálogo em todos os níveis”. Na encíclica Magnifica humanitas, o diálogo é apresentado como parte da vocação da Igreja, instrumento para a convivência entre as pessoas e caminho para enfrentar os conflitos.
Ao concluir, Leão XIV convidou os funcionários a construírem juntos um ambiente profissional no qual cada pessoa seja respeitada e valorizada. “Percorrendo juntos esse caminho, nos comprometemos a construir, cada vez mais, uma comunidade de trabalho onde as pessoas não sejam usadas e ignoradas, onde se ajudem mutuamente, onde o valor e a competência de cada um sejam reconhecidos, evitando gerar insatisfações e rancores.”
Fonte: Canção Nova








