Falando sobre a doutrina da Igreja sobre a música litúrgica em sua audiência geral hoje (19), o papa Leão XIV disse que ela deve estar “além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores”.
Citando a constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, o papa disse que “a tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor” e que a música sacra “será tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas”.
“Encontramos aqui o núcleo do ensinamento conciliar, que confirma e aprofunda a função ministerial da música na liturgia”, disse o papa na audiência realizada na basílica de São Pedro, no Vaticano, dizendo que “a música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração”.
“Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado”, disse ele.
Dizendo que santo Agostinho disse: “«Cantare amantis est», ou seja, «cantar é próprio de quem ama» (Sermo 336, 1)”, o papa disse que “a música expressa a dimensão afetiva da oração”, pois ajuda a abrir o coração à ação de Deus e a deixar-se moldar pela sua graça.
“O canto favorece a comunhão”, disse Leão XIV. “Através da sinfonia das vozes, contribui para a união das almas, superando as diferenças entre as pessoas e congregando todos no louvor a Deus”.
Requisitos da música litúrgica
Ele então apontou “algumas exigências” que surgem “do profundo significado teológico do canto sacro”.
“Uma primeira é que, além das modas ou das sensibilidades particulares dos autores, ele deve corresponder a todos os níveis àquilo que é mais apropriado para o momento celebrativo”, disse o papa.
“Além disso a forma, especialmente no seu aspecto melódico, deve ser nobre e simultaneamente simples, de elevada qualidade musical e facilmente executável, sobretudo quando se destina a ser entoada por toda a assembleia (cf. SC, 121)”, disse Leão XIV.
“Pelo mesmo motivo, o Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja”, disse ele.
“É necessário velar sobre isso, a fim de que se mantenha viva e cresça a dinâmica expressa no antigo princípio lex orandi lex credendi, ou seja, a lei da oração é também lei da fé”.
Leão XIV disse também que o Concílio Vaticano II atribui “grande valor ao canto gregoriano, mas sem excluir da celebração outros tipos de música sacra” e presta “atenção especial inclusive ao órgão (cf. SC, 120)”, embora seja “admitida a utilização de outros instrumentos, «contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis» (SC, 120)”.
Ele disse então que a inculturação é “um tema caro à reforma conciliar”, também “no campo da música sacra”. O papa disse que a Sacrosanctum Concilium incentiva “uma adequada «educação do sentido religioso» (SC, 119)” e recomenda que se promova , na medida do possível, “«a música tradicional desses povos nas escolas e nas ações sagradas» (ibid.)”.
Leão XIV disse também que “o compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o acervo musical da Igreja” e, citando o Quirógrafo sobre Música Sacra, publicado pelo papa são João Paulo II em 2003, falou sobre a importância de “purificar o culto de dispersões de estilos, de formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra, para assegurar dignidade e singeleza de formas à música litúrgica”.
Depois de concluir sua catequese, falando-se aos peregrinos poloneses, o papa disse que “23 de agosto é o Dia Europeu da Memória das Vítimas do Stalinismo e do Nazismo” e falou sobre o testemunho do beato Ladislaus Findysz , “sacerdote e o primeiro polonês beatificado como mártir da perseguição comunista”.
Leão XIV disse que o sacerdote, “no Concílio Vaticano II, apoiou espiritualmente os seus trabalhos, envolvendo os fiéis na Obra Conciliar do Bem”, através de “atos de caridade e renovação moral”.
“Que o seu testemunho nos lembre que a civilização do amor se constrói perdoando e vencendo o mal com o bem”, disse ele.
Saudando os peregrinos de língua espanhola, o papa os convidou “a refletir sobre o canto litúrgico como símbolo da comunhão eclesial” e a pedir ao Senhor “que nos ajude a viver em harmonia e concórdia, como um só coro, cujas melodias e boas obras glorificam e louvam o Pai por meio de Jesus Cristo”.
Fonte: ACI Digital







