Nesta quarta-feira, 16, o Papa Leão XIV recebeu em audiência cerca de 300 participantes de um congresso promovido pelo Dicastério para as Causas dos Santos e pela Comissão dos Novos Mártires – Testemunhas da Fé.
O evento, intitulado “O século XXI: uma nova era de mártires?”, refletiu sobre as novas testemunhas de fé que surgiram nos últimos anos. Tal conceito, explicou o Pontífice, foi formulado justamente para acolher e honrar situações históricas complexas nas quais a motivação dos algozes não é explicitamente atribuível ao “ódio à fé”.
O Santo Padre sinalizou que atualmente há diversos contextos geográficos e políticos nos quais pessoas, ao lutar contra as injustiças em nome do Evangelho, são mortas pelo abuso de poder ou por organizações criminosas. Desta forma, as circunstâncias históricas contemporâneas em que os novos mártires entregam a vida tornam necessário ampliar o significado da palavra “martírio”.
“Nelas [as testemunhas de fé] manifesta-se heroicamente o estilo do cristão, que nunca busca o confronto, mas, ao contrário, o neutraliza com a eficácia da mansidão. Como escreveu o Papa Francisco, ‘o discípulo sabe oferecer toda a sua vida e arriscá-la até o martírio como testemunho de Jesus Cristo’”, declarou Leão XIV.
Fé vivida no dia a dia
Segundo o Papa, as novas testemunhas de fé são um dos maiores recursos da Igreja para anunciar o Evangelho no mundo de hoje”. Neste contexto, o Pontífice citou a exortação apostólica Evangelii nuntiandi, na qual São Paulo VI destaca como o homem contemporâneo prefere ouvir as testemunhas a ouvir os mestres.
“As testemunhas da fé não propõem uma ideologia, mas mostram uma fé vivida no dia a dia. A sua credibilidade nasce da coerência entre palavras e ações, coerência que muitas vezes chega até o sacrifício supremo. Em contextos culturais indiferentes, a ‘santidade da porta ao lado’ e o heroísmo silencioso tornam-se argumentos significativos, capazes de interpelar a todos, mesmo os mais desconfiados”, salientou o Pontífice.
O Santo Padre concluiu seu discurso ressaltando que essas “estrelas que brilham na escuridão do egoísmo e da opressão”, ao refletir a luz de Cristo, indicam à humanidade contemporânea “o caminho que conduz à civilização do amor”.
Fonte: Canção Nova







