Símbolo da herança cristã e uma das maiores expressões da arquitetura gótica, a catedral de Notre Dame em Paris, França, atrai milhões de turistas e peregrinos de todo o mundo todos os anos.
O incêndio devastador que ocorreu em 15 de abril de 2019 gerou uma onda sem precedentes de solidariedade internacional para garantir a recuperação do icônico templo.
Embora a catedral tenha sido reaberta para culto em dezembro de 2024, as obras de restauração ainda não estão concluídas. Autoridades francesas apresentaram agora uma fase final de intervenções a serem feitas entre 2027 e 2033, que exigirá uma nova campanha de arrecadação de fundos com o objetivo de angariar € 130 milhões (R$ 766,5 milhões).
O investimento previsto é de € 150 milhões (R$ 884,9 milhões). Desse montante, cerca de € 20 milhões (R$ 117,9 milhões) já estão garantidos, enquanto o restante terá de vir de doações de particulares, empresas e entidades colaboradoras, seguindo o mesmo modelo de financiamento que permitiu a reconstrução do monumento depois do incêndio.
“Nosso objetivo é concluir definitivamente a restauração da catedral”, disse Philippe Jost, presidente da Rebâtir Notre-Dame de Paris (Reconstruindo Notre-Dame de Paris), ao jornal católico francês La Croix.
O programa abrange cerca de uma dúzia de intervenções destinadas tanto a reparar as consequências do desastre quanto a recuperar elementos do patrimônio, cujo estado de conservação já era delicado antes de 2019.
A rosácea ocidental, a protagonista principal
Entre as obras planejadas, destaca-se a restauração completa da grande rosácea ocidental, uma das peças mais representativas da arquitetura gótica europeia. Esse vitral histórico do século XIII não passou por uma restauração abrangente desde os trabalhos dirigidos por Eugène Viollet-le-Duc no século XIX.
Os planos também abrangem a restauração das fachadas do transepto norte, de várias esculturas medievais e de outros elementos arquitetônicos com sinais de desgaste. Os gestores do projeto acreditam que essas obras serão essenciais para garantir a preservação da catedral a longo prazo e para concluir as tarefas inacabadas na primeira fase da reconstrução.
Um monumento que voltou a funcionar, mas ainda está em construção
A reabertura de Notre Dame no fim de 2024 permitiu a retomada das celebrações litúrgicas regulares na catedral e cumpriu a promessa de devolvê-la ao culto em cinco anos. Desde então, milhares de fiéis e turistas têm voltado a passar por suas portas diariamente.
Mas o incêndio também revelou problemas de conservação que se acumularam ao longo de décadas num edifício com cerca de oito séculos de história. Assim, esta nova fase de obras visa não só reparar os danos causados pelo fogo, mas também atender a necessidades estruturais e patrimoniais mais amplas.
A cerimônia de reabertura, realizada em dezembro de 2024, foi um dos eventos culturais e religiosos mais importantes da Europa nos últimos anos.
Os responsáveis pela restauração esperam reavivar o movimento de solidariedade que surgiu depois da tragédia de 2019. Naquela época, foram arrecadados compromissos financeiros de cerca de €1 bilhão (cerca de R$ 5,8 bilhões), fundos que tornaram a reconstrução possível e deixaram recursos para futuros trabalhos de conservação.
O debate sobre os novos vitrais continua
A apresentação dessa fase final não põe fim a uma das controvérsias mais visíveis em torno de Notre-Dame: a proposta apoiada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, de substituir seis vitrais do século XIX, criados por Viollet-le-Duc, por obras contemporâneas da artista francesa Claire Tabouret.
O projeto permanece pendente de uma decisão judicial depois de recursos apresentados por várias associações de preservação do patrimônio histórico. Seus representantes dizem que os vitrais históricos sofreram danos mínimos no incêndio e consideram sua substituição injustificada.
A questão dividiu especialistas em restauração, autoridades públicas e figuras da cultura. Enquanto alguns defendem a preservação integral do legado histórico da catedral, outros veem a proposta como uma oportunidade para incorporar uma nova expressão artística a um dos monumentos mais emblemáticos da França.
Fonte: ACI Digital







