A eleição do Papa Leão XIV trouxe grande repercussão ao Brasil. De origem norte-americana, ele atuou durante muitos anos no Peru e chegou a visitar algumas regiões do Brasil no período em que foi superior dos Agostinianos. Inclusive, em 2025, ele seria o pregador do retiro espiritual dos bispos na Assembleia Geral da CNBB. Devido à morte do Papa Francisco e a convocação do Conclave, a Assembleia foi adiada para este ano e sua vinda cancelada.
“Ainda enquanto cardeal, ele queria visitar Salvador, porque queria conhecer o nordeste brasileiro”, conta o Arcebispo-primaz do Brasil, Cardeal Sergio da Rocha, que chegou a preparar a visita do então Cardeal Robert Francis Prevost, que não aconteceu. O arcebispo brasileiro afirma que, em tudo isso, já era possível perceber o seu carinho e interesse pela Igreja no Brasil, e agora, como Papa isso continua perceptível.
“Papa Leão XIV tem demonstrado sempre grande atenção e solicitude paterna com a Igreja no Brasil, primeiramente nomeando os bispos. E ele tem sido muito atencioso e generoso nessas nomeações, que têm sido muitas. Ele, certamente, conta conosco para que, no mundo, cresça sempre mais o povo de Deus, a participação na vida da Igreja, sobretudo a vivência do Evangelho e a própria evangelização”, destaca o cardeal.
Trabalho conjunto no Dicastério para os Bispos
Cardeal Sergio da Rocha é membro do Dicastério para os Bispos (organismo da Cúria Romana que cuida da nomeação e transferências dos bispos) e teve a oportunidade de trabalhar com o então Cardeal Prevost, que antes de ser eleito Papa era o prefeito deste dicastério.
Ele conta que sempre percebeu em Prevost essa atenção e interesse pela Igreja em nosso país, sobretudo reconhecendo a importância dela no mundo atual.
O Brasil é o país com maior número de católicos no mundo, de acordo com o Anuário Pontifício de 2025, concentrando cerca de 182 milhões de fiéis, o que representa aproximadamente 13% da população católica global. Além disso, possui o episcopado mais numeroso do mundo.
“Como membro do Dicastério, posso testemunhar que o Papa continua muito atencioso para com a Igreja no Brasil, reconhecendo nossa importância não só numericamente, mas pelas experiências de evangelização e missão que nós temos aqui, contando hoje com tantos leigos e leigas. Ele já tinha esse interesse de conhecer melhor a própria Igreja aqui no Brasil e, agora, como Papa, certamente terá oportunidade, quando Deus permitir, de vir conhecer de perto aquilo que ele sempre tem procurado valorizar”, afirma o cardeal.
Ao longo deste primeiro ano de Pontificado, o Papa Leão XIV nomeou 26 bispos para o Brasil – 9 para a região sudeste, 9 para o nordeste, 4 para o sul, 2 para o norte e 2 para a região centro-oeste.
Escolhido para ser bispo
Dom Clesio Facco, S.A.C, bispo de Uruguaiana (RS), foi um dos primeiros a serem nomeados, logo no primeiro mês do Pontificado, e foi o primeiro sacerdote designado pelo Pontífice para ser sagrado bispo para o Brasil.
Ele lembra que foi um momento significativo para ele ter recebido o convite do Papa Francisco para assumir essa função e depois ter sido confirmado pelo Papa Leão.
“No primeiro momento, senti muita perplexidade e um certo temor pela função. É totalmente nova e o pastoreio de uma Diocese é uma função importante dentro da Igreja. Isso tem um significado muito grande e um desafio ao mesmo tempo. Mas eu assumi com muita alegria e disponibilidade. Fui para essa Diocese com muita abertura de coração e espírito de diálogo”, conta Dom Clesio, que assumiu a missão há oito meses.
Como um balanço desse primeiro ano de Pontificado de Leão XIV, o bispo destaca, de forma positiva, a postura de diálogo e comunhão do Papa.
“Sabemos dos grandes desafios que o mundo passa neste momento, mas o Papa tem tido uma postura muito significativa. O que move a Igreja é o espírito do Evangelho, e o Evangelho nos pede o diálogo, a fraternidade e a paz. (…) Ele tem se comunicado com o mundo com muito diálogo, mas sempre com uma postura muito firme em torno do que o Evangelho nos pede”, concluiu.
Fonte: Canção Nova








