“Nós embaçamos a imagem de Deus quando não seguimos Sua Palavra, mas a misericórdia de Deus sempre nos resgata”, disse o arcebispo de Juiz de Fora (MG), dom Marco Aurélio Gubiotti, na homilia da missa de Páscoa celebrada anualmente na Penitenciária José Edson Cavalieri, na quarta-feira (29), junto a homens e mulheres do regime semiaberto.
“A Pastoral Carcerária, os leigos e leigas, diácono, padre, eu, nós procuramos dar um testemunho para a sociedade de que aquele ou aquela que foi apenado não perde a dignidade de filho e filha de Deus”, disse dom Marco Aurélio, segundo o site da arquidiocese de Juiz de Fora.
“Eles já estão julgados e apenados”, continuou, “não é necessário que a gente venha aqui para julgá-los, mas para lhes oferecer uma esperança, a esperança da misericórdia de Deus, do amor de Deus”.
“Jesus diz que Ele não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo. O Supremo Juiz do céu e da terra diz: ‘Eu não vim para julgar’. Essa é a maneira como Jesus trata cada um de nós”, disse na homilia sobre o Evangelho do dia Jo 12,44-50.
Segundo o arcebispo, mesmo diante do pecado humano, Deus nunca deixa de oferecer misericórdia e possibilidade de recomeço. “Com Jesus, nós temos força, coragem e paz interior para enfrentar qualquer tipo de dificuldade, seja qual for a nossa condição”.
Recordando o gesto de Jesus na Quinta-feira Santa, dom Marco Aurélio fez o rito de lava-pés, e lavou os pés de três mulheres e três homens. “Muito mais difícil do que lavar o pé de algumas pessoas e beijar o seu pé, é viver o que Jesus quis dizer: a gente se reconhecer irmãos com a mesma dignidade, seja qual for a nossa condição. Isso é um desafio para todo cristão”, disse.
Segundo o arcebispo, a realização do rito do lava-pés foi uma proposta do assessor da Pastoral Carcerária, padre Welington Nascimento de Souza. Para ele, foi uma oportunidade de renovar o sinal vivido pela Igreja na Semana Santa.
“Eu tenho certeza que todos aqueles que estavam aqui se sentiram atingidos por esse gesto. O gesto de Jesus é um gesto de serviço, de demonstração de que Ele colocava a sua vida a nosso serviço”, disse dom Marco Aurélio.
Ele concluiu a homilia falando do testemunho de santa Catarina de Sena, celebrada em 29 de abril. Mesmo analfabeta e enfrentando limitações de saúde, a santa tornou-se uma das maiores doutoras da Igreja, mostrando que nenhuma limitação é capaz de impedir alguém de oferecer o melhor de si a Deus. “Não existe nada, nem ninguém, que possa impedir que nós ofereçamos o melhor de nós para o Senhor”, concluiu.
Fonte: Canção Nova






