Um abraço coletivo ao redor da igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na praia do Saco, em Estância (SE), ontem (12), marcou o ato público contra a decisão judicial que determinou que o templo de mais de 400 anos seja desmontado e realocado.
“Aqui se encontram as pessoas nativas, os veranistas, aqueles que estão aos finais de semana, os turistas, e fazem a sua fé, se encontram com Jesus Eucarístico aqui”, disse o bispo de Estância, dom José Genival Garcia, em vídeo publicado pela diocese. Depois do abraço coletivo, ele celebrou a missa na capela.
“Em meio a esta situação”, disse o bispo de Estância, “nós estamos aqui para dizer que nós queremos exatamente responder aquilo que a Justiça nos pediu, mas, sobretudo, pedir a permanência deste lugar, deste lugar sagrado e santo, importante em todas as esferas”.
A decisão judicial
A capela Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída no século XVI, na praia do Saco. A construção é atribuída aos jesuítas que chegaram à região em janeiro de 1575. A igreja é patrimônio histórico, cultural e religioso do município.
Uma decisão do juiz Rafael Soares Souza, da 7ª Vara da Justiça Federal de Sergipe, determinou que a igreja seja desmontada e realocada em outro ponto da praia, mantendo, na medida do possível, “as características arquitetônicas e estéticas”.
O argumento é de que a capela foi construída em área de faixa de areia de preservação permanente, e que sua estrutura estaria em risco por causa da erosão provocada pelo avanço do mar. O juiz determinou também que, depois da realocação, seja feita a recuperação ambiental da área atualmente ocupada.
A decisão foi tomada no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a diocese de Estância, a União, o Estado de Sergipe, o município de Estância, o Ibama e a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema).
Respostas dos envolvidos
O procurador do município de Estância, Alysson Leite, disse ao Portal Fan F1 que a prefeitura vai recorrer da decisão. Segundo o portal, o procurador recebeu a decisão judicial com surpresa porque, anteriormente, “o mesmo magistrado havia determinado a recuperação estrutural da capela e sua adequação às normas ambientais”.
“A capela foi totalmente reformada e restaurada aos seus moldes”, disse Alysson Leite. O procurador disse que “a diocese não tinha verba suficiente, mas a associação e os veranistas se juntaram”. “Toda a reforma foi executada com os projetos estruturais, hidráulicos, elétricos, com as licenças do município de Estância”, acrescentou. Segundo ele, depois da restauração, a capela teve seu funcionamento homologado em agosto de 2025 e, desde então, voltou a sediar celebrações e outros eventos.
Alysson disse que, primeiramente, fará apresentação de embargos de declaração, para que o juiz federal “esclareça, primeiro, como ele autoriza reformar e depois ele manda demolir, porque desmontagem, hoje a nossa equipe de infraestrutura diz que não existe, mas se ele apontar uma maneira, poderemos repensar”.
“Então nós vamos recorrer primeiro, para que ele diga qual técnica a gente deve usar para desmontar uma estrutura de alvenaria”, disse.
A diocese de Estância disse em nota que tomou conhecimento da decisão judicial e que, “de imediato, sua equipe jurídica iniciou a análise aprofundada da decisão proferida, a fim de adotar as medidas juridicamente cabíveis, inclusive no que se refere à interposição de recurso”.
“A diocese de Estância ressalta a importância da capela de Nossa Senhora da Boa Viagem para a comunidade local e para todo o município de Estância, não apenas sob o aspecto religioso, mas também, como elemento de relevante valor cultural, histórico e turístico”, disse.
A diocese também reafirmou “sua disposição para o diálogo institucional e para a construção de soluções que conciliem a proteção ambiental com a preservação do patrimônio religioso e cultural, sempre em benefício da coletividade”.
Fonte: ACI Digital







