Na tarde desta Quinta-feira Santa, 2, começa o Tríduo Pascal, a festa mais importante de todo o ano litúrgico, que se estende por três dias consecutivos, até a Vigília Pascal no Sábado Santo.
“O tríduo pascal é considerado uma única celebração porque é uma sequência litúrgica que comemora a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É a mais importante do ano litúrgico porque é o centro da fé cristã, celebrando a redenção da humanidade. Os três dias formam uma só celebração que resume todo o mistério da Páscoa”, explica padre Rivelino Nogueira, assessor diocesano de Liturgia da Diocese de Lorena (SP) e Reitor da Basílica Imaculada Conceição de Cruzeiro (SP).
O Papa Francisco escreveu, em 2016, uma Catequese sobre o Tríduo Pascal, na qual afirmou que, em resumo, ele é o “memorial de um drama de amor que nos dá a certeza de que não seremos nunca abandonados nas provações da vida”.
Padre Rivelino lembra que, em 1999, São João Paulo II escreveu uma carta aos sacerdotes destacando que o Triduum Sacrum são os dias santos por excelência, durante os quais, “misteriosamente, participamos no regresso de Cristo ao Pai”. “A fé garante-nos que esta passagem de Cristo ao Pai, ou seja, a sua Páscoa, não é um acontecimento que diga respeito só a Ele; também nós somos chamados a tomar parte nela: a sua Páscoa é a nossa Páscoa”, disse na carta.
Diante da relevância dessas celebrações, os fiéis devem vivenciar esses dias com reflexão, oração e participando das celebrações litúrgicas. “Devem se aproximar da Paixão e Ressurreição de Jesus, renovando sua fé e compromisso cristão, e buscando a conversão e a paz interior”, afirma o sacerdote. Confira, abaixo, as particularidades de cada celebração.
Quinta-feira Santa
Dia em que se celebra a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Nesta celebração, faz-se memória da última Ceia do Senhor, na qual Jesus instituiu o memorial de sua Páscoa (a Missa). Também acontece o rito do lava-pés. “Simboliza a entrega e o amor de Jesus”, afirma padre Rivelino.
“Jesus institui a Eucaristia, antecipando no banquete pascal o seu sacrifício no Gólgota. Para fazer os discípulos compreenderem o amor que o anima, lava seus pés, oferecendo, ainda uma vez mais, o exemplo em primeira pessoa de como eles mesmos deveriam agir. A Eucaristia é o amor que se faz serviço. É a presença sublime de Cristo que deseja alimentar cada homem, sobretudo os mais frágeis, para torná-los capazes de um caminho de testemunho entre as dificuldades do mundo”, destacou a Catequese do Papa Francisco sobre o Tríduo Pascal.
A Quinta-feira Santa encerra-se com a Adoração Eucarística, na recordação da agonia do Senhor no Horto das Oliveiras
Sexta-feira Santa
Às 15h, celebra-se a Paixão e Morte de Jesus na cruz. “É um dia de jejum e penitência, simbolizando o sacrifício de Jesus”, explica padre Rivelino. É o único dia do ano em que a Igreja Católica não realiza a Santa Missa. A celebração começa em silêncio e com o altar desnudado – sem a toalha, nem velas ou cruz, simbolizando a ausência de Jesus e o luto da Igreja.
Essa celebração consiste na Liturgia da Palavra, com a narração da Paixão do Senhor, Adoração da Cruz e Comunhão. Após a homilia, é rezada a Oração Universal, rezando pelas necessidades da humanidade e da Igreja.
Em seguida, acontece o momento de Adoração da Cruz. O celebrante vai até a porta principal com a cruz e dirigindo-se até o altar canta por três momentos: “Eis o lenho da cruz do qual pendeu a salvação do mundo”, e a assembleia responde: “Vinde, adoremos!”. Depois os fiéis se inclinam em silêncio e tem início a procissão com o beijo na cruz.
Finalmente, começa o rito da comunhão. O altar é preparado com a toalha e, sobre ele, é colocada a âmbula com as hóstias consagradas. Após um breve momento de Adoração Eucarística e a oração do Pai-Nosso, acontece o momento da comunhão. A celebração termina sem a bênção final e todos se retiram em silêncio. Neste dia, além do jejum, os fiéis devem abster-se de carne.
“A Sexta-feira Santa é o momento culminante do amor. A morte de Jesus, que na cruz se abandona ao Pai para oferecer a salvação ao mundo inteiro, exprime o amor dado até o fim, sem fim (…) Se Deus nos demonstrou o seu amor supremo na morte de Jesus, então também nós, regenerados pelo Espírito Santo, podemos e devemos nos amar uns aos outros”, disse o Papa Francisco em sua Catequese sobre o Tríduo Pascal.
Sábado Santo
Depois de um dia de silêncio, desde a tarde de sexta-feira até a tarde do sábado, eis que chega a Vigília Pascal, considerada por Santo Agostinho como “a mãe de todas as vigílias”. padre Rivelino explica que ela simboliza a espera e a esperança na vitória de Cristo sobre a morte.
Na Catequese do Papa Francisco, ele afirmou que “o Sábado Santo é o dia do silêncio de Deus” e ensina que os fiéis devem fazer de tudo para que seja um dia de silêncio. “Deus se cala, mas por amor. Neste dia, o amor – aquele amor silencioso – torna-se espera da vida na ressurreição”.
A Vigília Pascal tem quatro partes fundamentais: Liturgia da Luz, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística.
A celebração começa com a bênção do fogo. Em silêncio e com as luzes apagadas, o padre abençoa o fogo, um rito que simboliza a luz de Cristo e como ela ilumina as trevas do mundo. A partir deste fogo é aceso o Círio Pascal, que representa Jesus Cristo, luz do mundo, e, a partir do Círio, são acesas todas as velas levadas pelos fiéis. O diácono ou o celebrante proclama: “Eis a luz de Cristo”; e a assembleia responde: “Demos graças a Deus!”
A Liturgia da Palavra começa à luz das velas. É realizada uma série de leituras, do Antigo e Novo testamento, que narram a história da salvação. Após a última leitura do Antigo Testamento canta-se o “Glória” e as luzes da Igreja são acesas.
Após a leitura do Evangelho e homilia, começa a Liturgia Batismal. O celebrante abençoa a água e em algumas ocasiões também é realizado o batismo, se houver catecúmenos. Acontece a renovação das promessas batismais e a água abençoada é aspergida sobre os fiéis.
A última parte da Missa é a Liturgia Eucarística que começa com o momento do ofertório. É o ápice da Missa, pois celebra a presença real de Cristo Ressuscitado. A Missa termina com a bênção solene.
Fonte: Canção Nova






