A atividade humana no mundo esteve no centro da reflexão do Papa Leão XIV na catequese desta quarta-feira, 23. O Pontífice desmistificou a ideia de que o homem e Deus sejam rivais, pelo contrário: a humanidade é acolhida no encontro com Deus e as obras terrenas do homem, que melhorem a vida da sociedade, interessam ao reino de Deus.
O Pontífice segue nas reflexões sobre a constituição pastoral Gaudium et spes, no ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. O terceiro capítulo da primeira parte do documento é dedicado a este tema da atividade humana. Segundo o Papa, a questão fundamental é refletir sobre o valor desta atividade no mundo e, por consequência, do progresso técnico, social e científico. “Podemos recordar que, menos de quatro anos depois do encerramento do Concílio, na noite entre 20 e 21 de julho de 1969, o homem teria pisado pela primeira vez a Lua.”, observou.
Leão XIV lembrou que o ser humano – criado à imagem e semelhança de Deus – é sujeito do progresso. Com liberdade e inteligência, amplia seus conhecimentos, fazendo a sociedade progredir. Porém, alguns pensadores chegaram a apresentar esse progresso como algo que debilita a relação com Deus. “Nos humanismos pós-cristãos, o ser humano e Deus são erroneamente apresentados como rivais”, pontuou.
A grandeza de Deus na ação humana
O Concílio, portanto, quis oferecer uma resposta clara ao afirmar na Gaudium et spes que a atividade humana individual e coletiva para tentar melhorar as condições de vida corresponde à vontade de Deus. Assim, em vez de pensar que as obras do ser humano se opõem ao poder de Deus, a lógica é contrária: “as vitórias do gênero humano manifestam a grandeza de Deus e são fruto do seu desígnio inefável”, disse o Papa, citando um trecho do documento.
O Papa explicou, então, que a humanidade – e com ela o trabalho e o progresso – não é anulada pelo encontro com Deus, mas sim acolhida em sua integralidade. Na celebração eucarística, por exemplo, o fruto do trabalho humano, representado pelo pão e o vinho, é colocado todos os dias sobre o altar e transformado no Corpo e Sangue de Cristo.
“Para encontrar Deus, o ser humano não deve abandonar as ocupações terrenas, mas pode viver plenamente a sua vocação, desempenhando bem o trabalho diário e santificando-o”, afirmou, citando outro trecho do documento.
A perspectiva da caridade
Por fim, o Papa ressaltou que o progresso terreno deve se distinguir bem do desenvolvimento do reino de Cristo, mas na medida em que contribui para a melhoria da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus.
“Para concluir recordemos que, para se tornar autêntico desenvolvimento humano — isto é, de todo o homem e de todos os homens — o progresso técnico e científico deve ser animado e orientado pela caridade. Só assim poderá ser colocado sempre em defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos.”, concluiu.
Fonte: Canção Nova







