Na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, o Papa recebeu em audiência, em Roma, os membros do Ordinariato Militar de Portugal e alguns representantes das forças armadas e de segurança do país, por ocasião do sexagésimo aniversário da instituição. O Pontífice “confiou ao Senhor” os dois jovens soldados portugueses que morreram na sexta-feira passada, atropelados por um veículo enquanto ajudavam “generosamente” um motorista de caminhão na estrada.
A delegação do Ordinariato Militar de Portugal, cerca de 70 pessoas, está em Roma para o sexagésimo aniversário da fundação do Vicariato, que passou a designar-se, em 1981, Ordinariato Castrense e que há vinte e cinco anos “teve o seu primeiro bispo”.
O Pontífice deu as boas-vindas aos militares e saudou todos os membros, “cristãos e não cristãos, do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em Portugal”.
A recordação dos jovens soldados portugueses mortos
A seguir, Leão XIV recordou “à luz de Cristo Ressuscitado os dois jovens militares do Exército”, de 21 e 22 anos, que “generosamente, como o bom samaritano, pararam no caminho para prestar socorro”, na última sexta-feira (21/08), a um motorista de caminhão com um pneu furado na rodovia do distrito de Coimbra e foram atropelados por outro carro. “Confio-os ao Senhor, junto com as suas famílias”, disse o Papa.
“Possa o Ordinariato, dando sua inestimável contribuição para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar sendo um espaço de colaboração construtiva com as autoridades estatais, governamentais e militares”, disse o Papa em seu discurso, acrescentando:
“Para quem acredita em Cristo, peregrinar a esta cidade representa uma singular ocasião para a renovação de si mesmo, reconhecendo a centralidade de Deus na própria vida e fortalecendo a fé através da oração junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro. Todos os dias, cabe a cada um de vocês a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos cidadãos e protegendo-os das injustiças.”
A força para reconhecer os próprios limites
Como sugere a carta de São Paulo aos Efésios, o Bispo de Roma os encorajou a serem “fortes no Senhor”. Essa força possui uma qualidade especial, que Leão XIV encontrou na figura do centurião de Cafarnaum, narrado nos Evangelhos de Mateus e Lucas.
O centurião tinha “um servo que sofria horrivelmente, isto o fez aproximar-se de Jesus, que lhe assegurou ir curá-lo. Ele, porém, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Pois eu também obedeço a ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vá, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e digo ao meu servo: faça isso, e ele faz»”.
“Nesta atitude é possível constatar como o centurião valorizava a hierarquia e como esta dimensão da sua vida quotidiana lhe fez interpretar a relação com Jesus de Nazaré, que confessa seu Senhor, seu Deus. Maravilhado com tais palavras, Jesus disse: «Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé!». Se, por um lado, este militar estava consciente da sua autoridade, por outro lado mostrou diante do Filho de Deus a força da fé e a coragem da humildade”, disse o Papa.
Fonte: Vatican News








