O papa Leão XIV fez um balanço de sua visita pastoral de quatro dias à França, “grande dádiva” pela qual agradeceu a Deus, dizendo que todas as experiências vividas poderiam ser resumidas em torno de um grande símbolo: a reconstrução da Catedral de Notre-Dame em Paris.
“É precisamente Notre-Dame, com o drama vivido, que pode simbolicamente iluminar toda essa viagem apostólica, oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria com uma palavra: renascimento”, disse ele na audiência geral de hoje.
Leão XIV disse que a catedral, devastada por um incêndio há sete anos e que na época parecia “mortalmente ferida”, está hoje reconstruída e “é mais resplandecente do que nunca”.
Ele disse que a restauração da catedral é um exemplo de colaboração entre a Igreja, o Estado, as instituições públicas e a sociedade civil.
“Essa atitude permitiu valorizar da melhor forma possível a generosidade dos benfeitores e as competências dos profissionais e dos operários”, disse o papa, antes de pedir que essa busca conjunta pelo bem comum se torne o estilo usual das instituições e daqueles que detêm responsabilidades públicas.
Um firme compromisso com a prevenção de abusos na Igreja
O papa falou hoje também sobre o encontro privado que teve em sua recente viagem apostólica à França com sete vítimas de abusos cometidos por membros do clero naquele país, e reafirmou o compromisso da Igreja em ouvir, acompanhar e prevenir esses crimes.
“Nesse contexto, encontrei algumas pessoas vítimas de abusos e pedi-lhes que me ajudem a transmitir também a outras vítimas a minha vontade, bem como a de toda a Igreja, de as ouvir e de caminhar com elas em busca da cura, reconhecendo a dor causada na sua vida e trabalhando para a prevenção dos abusos”, disse ele.
O encontro ocorreu no último domingo (27) na residência episcopal em Lourdes, França. Durou duas horas, nas quais o papa também pôde conversar em particular com cada um deles.
A Igreja não é feita de pedras nem de cimento
Leão XIV falou também sobre uma vigília realizada com milhares de jovens no Stade de France, onde percebeu um forte sinal de vitalidade da Igreja na França.
“A Igreja não é feita de pedras nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo porque foram amadas por Ele”, disse.
Ele destacou a presença de uma “nova geração francesa”, não só por causa da idade, mas “ainda mais pelo espírito, pela liberdade de coração e de fé”.
“Jovens que cantaram, gritaram, mas que também permaneceram em silêncio, à escuta. Rostos atentos e comovidos, que revelavam corações desejosos de verdade e amor. A eles eu disse com alegria: ‘Vós sois os santos da França!’. Aquela Vigília foi um grande sinal de esperança!”, disse.
Nesse contexto, ele também destacou o aumento do número de jovens e adultos que solicitam o batismo na França, fenômeno que descreveu como uma “bela surpresa de Deus”.
Lourdes, santuário da “civilização do amor”
Falando sobre sua estadia em Lourdes, o papa destacou a mensagem de esperança que os peregrinos recebem, especialmente aqueles que sofrem de doenças físicas ou espirituais.
“Em Lourdes o Senhor, através do esmero maternal da Virgem Maria, transmite a todos, peregrinos e especialmente enfermos no corpo e no espírito, uma mensagem de esperança e renascimento”, disse ele.
Leão XIV também defendeu a dignidade inviolável de toda vida humana, mesmo nas situações mais vulneráveis. “Toda vida humana, independentemente de sua condição, mesmo na mais grave fragilidade, conserva sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do sofrimento com compaixão humana e com os meios que a ciência oferece”, disse.
Assim, disse ele, Lourdes representa para o mundo inteiro “um santuário da civilização do amor”.
Europa e o diálogo para a paz
A etapa final da viagem levou o papa a Metz, cidade marcada por cicatrizes da Segunda Guerra Mundial e ligada à figura de Robert Schuman, um dos “pais” da integração europeia.
Leão XIV comparou simbolicamente a reconstrução da catedral de Notre-Dame de Paris com o renascimento da Europa depois da Segunda Guerra Mundial e disse que o projeto europeu nasceu sobre princípios de democracia, solidariedade e fraternidade profundamente enraizados no cristianismo.
Ele também destacou o encontro que teve com representantes de diferentes tradições religiosas, que assinaram o Apelo de Metz pelo Diálogo e pela Paz em sua presença.
O lema de sua visita à França: Para que o Mundo Tenha Vida
Por fim, ele disse que o lema de sua visita à França foi Pour Que le Monde Ait la Ve (Para Que o Mundo Tenha Vida”), expressão extraída do Evangelho de são João que, como disse, resume a missão salvífica de Cristo e o significado de cada um dos encontros realizados na viagem. Concluiu pedindo que essa experiência dê “frutos abundantes e duradouros” para a Igreja e a sociedade.
Fonte: ACI Digital







