Um documentário que traça a vida, o legado e o “caminho profético de compaixão” de santa Teresa de Calcutá estreou no último sábado (5), dia de sua festa, em Calcutá, Índia, atraindo cerca de 200 pessoas, inclusive dezenas de freiras e noviças das Missionárias da Caridade (MC).
O documentário Mother Teresa – Prophet of Compassion (Madre Teresa – Profetisa da Compaixão, em tradução livre), produzido pelo jornalista e escritor Anto Akkara, foi exibido no auditório do St. Xavier’s College, em Park Street, Calcutá, Índia, com a presença do arcebispo de Calcutá, Elias Frank.
Antes do filme, o arcebispo elogiou a determinação de Akkara em levar aspectos menos conhecidos da vida e obra de Madre Teresa ao público do mundo todo.
“Estamos aqui, queridos amigos, não só para assistir o que ele fez, mas para nos inspirarmos na obra da Madre Teresa”, disse Frank, elogiando a “paixão” do jornalista por dar a conhecer Madre Teresa através do documentário.
“Há coisas que talvez nem saibamos ainda”, disse o arcebispo, referindo-se à análise jornalística do filme sobre eventos que envolveram as Missionárias da Caridade.
Akkara, que escreve para EWTN News, disse que sua relação com Madre Teresa começou em 1995, quando, aos 33 anos, teve o que disse ser uma entrevista “abrangente” com ela.
“Desde então, tenho acompanhado as Missionárias da Caridade em ocasiões cruciais, frequentando Calcutá com frequência desde o funeral da Madre em 1997”, disse ele. Akkara visitou Calcutá cerca de 20 vezes para reportagens internacionais.
Ele disse que propôs o documentário quando as Missionárias da Caridade se aproximavam do seu 75º aniversário, e a congregação concordou com o projeto. A Atmadarshan TV, de Indore, Índia, apoiou a produção.
O documentário de 66 minutos baseia-se numa versão anterior produzida para o 75º aniversário da fundação da congregação, em outubro do ano passado. Depois, Akkara retrabalhou o filme, inserindo cerca de uma dúzia de novos episódios e relatos internacionais.
O documentário traça a trajetória de Madre Teresa desde seus primeiros trabalhos na Índia até a expansão mundial das Missionárias da Caridade, destacando episódios em Patna em 1948, Jharkhand em 1959 e Nova Delhi em 1961.
O texto também examina o trabalho da congregação em meio a conflitos, em episódios como assassinatos de freiras das Missionárias da Caridade no Iêmen em 1998 e em 2016, a expulsão da congregação da Nicarágua e a decisão das freiras de permanecerem em Gaza e na Ucrânia em meio a bombardeios.
Entre os que aparecem no filme está o fotógrafo Raghu Rai. O documentário fala também sobre a homenagem que Jawaharlal Nehru, o primeiro chefe de governo da Índia, entre 1947 e 1964, fez a Madre Teresa na inauguração de um prédio da Shishu Bhavan, lar infantil para crianças órfãs, abandonadas ou com deficiências, fundado em 1955 por Madre Teresa, em Nova Délhi.
Várias histórias menos conhecidas abordadas no filme ilustram a amplitude do trabalho de santa Teresa de Calcutá. O documentário diz que os característicos saris de algodão branco com listras azuis usados pelas freiras das Missionárias da Caridade são tecidos por pessoas afetadas pela hanseníase no centro da congregação em Titagarh, dedicado a Mahatma Gandhi.
O filme também narra o esforço de Madre Teresa para convencer a Força Aérea Indiana a plantar árvores no leprosário das Missionárias da Caridade em Délhi e sua decisão de recusar um convite papal para a Jornada Mundial da Juventude de 1993 em Denver, Colorado, EUA, para que pudesse viajar para Borduria, em Arunachal Pradesh, Índia, e intervir contra o assassinato de bebês nascidos com deformidades.
O filme fala sobre uma rifa organizada para arrecadar fundos para o hospital de leprosos em Shanti Nagar, através da venda de um papamóvel doado à Madre Teresa depois do Congresso Eucarístico Mundial de 1964 em Mumbai.
O documentário fala também sobre o pedido de Madre Teresa para que o Comitê do Prêmio Nobel cancelasse o tradicional banquete que acompanhava a entrega do Prêmio Nobel e usasse o dinheiro para ajudar órfãos em Calcutá.
O filme fala também sobre a relação de Madre Teresa com Jyoti Basu, chefe de governo marxista de longa data do Estado de Bengala Ocidental. Basu, amigo de Madre Teresa, teria dito certa vez: “Essa senhora me transforma num mau marxista, fazendo-me acreditar na divindade”.
Em mais um exemplo de sua atuação além das fronteiras religiosas, Madre Teresa deu o nome de Convento Radharani a um centro da Igreja metodista episcopal perto de Ranchi, em homenagem a uma mulher hindu que doou um terreno para um leprosário em 1973.
Nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em 1910, na atual Macedônia do Norte, Madre Teresa chegou à Índia em 1929 como freira Irmã de Loreto e fundou as Missionárias da Caridade em 1950. Desde então, a congregação se expandiu pelo mundo, servindo algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis.
Fonte: ACI Digital







