Avaliar as oportunidades e os riscos associados à inteligência artificial não significa “impedir o progresso”, mas sim realizar um ato de responsabilidade. Por esse motivo, a delegação da Santa Sé junto às Nações Unidas, em Nova York, “acolhe com satisfação” o mandato conferido ao Grupo Científico Internacional Independente sobre IA de “elaborar avaliações científicas baseadas em evidências e examinar cuidadosamente os riscos e os impactos da IA, a fim de garantir uma base científica sólida para sua governança”. Esse é o cerne de uma declaração dos representantes da Santa Sé na ONU proferida no dia 19 de junho, durante um “diálogo interativo” com os copresidentes do próprio grupo científico.
Gerenciar a tecnologia de forma responsável
O Grupo terá a tarefa de apresentar seu primeiro relatório anual em menos de um mês, em Genebra, na Suíça, durante um encontro global sobre a gestão da IA. “Esperamos que esse relatório possa contribuir para orientar as discussões da comunidade internacional neste momento particularmente crucial”, afirmaram ainda os delegados da Santa Sé.
Uma iniciativa de governança ainda mais importante, acrescentaram, uma vez que as mudanças tecnológicas são incomparavelmente mais rápidas do que os processos normativos nacionais e internacionais. “A tecnologia – declarou a delegação durante o ‘diálogo interativo’ – nunca é neutra. Ela reflete inevitavelmente as prioridades e os pressupostos daqueles que a projetam, financiam, regulam e utilizam. Todo sistema incorpora escolhas por meio do que mede, do que ignora e do que otimiza. Por esse motivo, as considerações éticas devem orientar desde o início os aspectos técnicos, em vez de serem tratadas como um elemento acessório ou secundário”.
A primazia da ética sobre a técnica
Trata-se de considerações que refletem a mensagem da recente encíclica de Leão XIV, Magnifica humanitas. O Papa ressalta que o “discernimento ético”, na avaliação de um sistema tecnológico, deve examinar não apenas a bondade dos objetivos que o próprio sistema persegue, mas também “qual visão da pessoa humana e da sociedade está incorporada nos dados e nos modelos que o orientam”.
A delegação, ao final de sua intervenção, reiterou o interesse da Santa Sé em “participar de forma construtiva dos esforços internacionais destinados a garantir que a inteligência artificial promova a dignidade humana”.
Fonte: Vatican News








