Promovido anualmente pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, o encontro reuniu na Sala Nova do Sínodo cerca de 200 moderadores e representantes de 115 associações internacionais que possuem o reconhecimento de direito pontifício. Com o tema “Servir, Acompanhar, Guiar: Fundamentos e Práticas de Governação nas Associações”, o fórum focou-se nos desafios da gestão institucional na Igreja.
Durante os dois dias de painéis, os líderes contaram com as orientações do prefeito do Dicastério, o Cardeal Kevin Farrell, e ouviram testemunhos como o do Arcebispo de Sevilha (Espanha), que partilhou como a sua própria vocação sacerdotal nasceu na juventude através do movimento dos Cursilhos de Cristandade.
Entre as diretrizes práticas estabelecidas, reforçou-se a obrigação de as associações enviarem relatórios anuais detalhados à Santa Sé, discriminando as suas atividades, o número de membros e a sua distribuição geográfica global.
O ponto alto do evento foi o discurso do Papa Francisco. Conforme relatou o padre Wagner, o Pontífice relembrou que o modelo de governança eclesial deve basear-se estritamente em Jesus Cristo.
“Governar é servir, governar é dar a vida para promover o maior bem possível, que é a salvação na vida das pessoas”, destacou o sacerdote, sublinhando os apelos do Papa à transparência e à sinodalidade.
O Papa enfatizou ainda que a liderança nestas comunidades não possui um caráter estritamente sacramental (como o Sacramento da Ordem), mas constitui um governo delegado, recebido como uma escolha da própria comunidade. Portanto, os gestores devem atuar em contínua consulta com os seus conselhos e membros.
O cuidado com o patrimônio vivo e o apelo profético
A dialética proposta pelo Papa dividiu-se em duas frentes: o apelo a cuidar e a valorizar a memória de um património vivo e, simultaneamente, um apelo profético para responder aos desafios pastorais, sociais e espirituais do tempo presente.
Esta realidade toca diretamente a Canção Nova, que caminha para o seu jubileu de ouro. Fundada pelo Padre Jonas Abib em 1978, a comunidade completará 50 anos em 2028.
“Custodiar, guardar essa memória que é uma memória viva, porque é o próprio carisma. O carisma é dom do Espírito Santo para o bem da Igreja. Nenhuma comunidade é ‘dona’ do carisma; ele é um bem para o povo de Deus e para a humanidade”, explicou o padre Wagner.
O desafio atual da instituição, que atua fortemente no campo da evangelização através dos meios de comunicação social, consiste em projetar o futuro mantendo a fidelidade à sua identidade fundacional.
Assembleia Geral e renovação de mandatos
Em nível interno, a Canção Nova concluiu recentemente a sua Assembleia Geral, realizada entre os dias 24 de abril e 3 de maio. O encontro cumpriu os trâmites estatutários habituais, como a aprovação do balanço financeiro, a votação do orçamento e a prestação de contas das atividades aos membros da assembleia.
O momento marcou também o encerramento do mandato de cinco anos do Conselho Geral e deu início a um processo eletivo de renovação. Embora o padre Wagner Ferreira da Silva continue a exercer as suas funções na presidência da Fundação João Paulo II, a Canção Nova elegeu um novo presidente para a sua estrutura comunitária, abrindo um novo capítulo de consolidação e impulso missionário para o carisma.
Fonte: Vatican News







