Uma reflexão sobre o perdão e a possibilidade de colocar em prática a visão de São Francisco em nossa época marcada por guerras e conflitos. Essa é a origem da proposta de dom Felice Accrocca, bispo de Assis – Nocera Umbra – Gualdo Tadino e Foligno, na região italiana da Úmbria. “Perdão significa uma absolvição da culpa”, explicou ele à margem da nona Festa do Santuário da Espoliação. “E então a dívida de muitos países pobres que estão esmagados por esse fardo poderia ser perdoada.” Essa possibilidade também foi evocada e esperada em concomitância com o Jubileu de 2025, assim como o de 2000. “Sempre se falou sobre isso, mas depois o assunto é deixado de lado”, disse o bispo, acrescentando que, em vez disso, “a questão deveria ser explorada mais a fundo, pois poderia trazer resultados positivos”. Por ora, o apelo é pessoal, mas o prelado pretende ir além. “Sinto o dever de trabalhar para que certas ideias possam permear o tecido de toda a diocese de forma mais profunda”, disse dom Accrocca, que especificou: “acredito ser importante coordenar com as famílias franciscanas e instituições locais para desenvolver propostas e projetos sobre esse tema e sobre questões de paz”.
Dinheiro não compra felicidade
Por uma economia de fraternidade
Como prova dos esforços concretos da Diocese, parte de um compromisso de longa data com a conscientização sobre essas questões, a cerimônia de premiação “Francisco de Assis e Carlo Acutis, por uma economia de fraternidade” foi realizada em 16 de maio. “Este reconhecimento é um sinal para transformar a economia, começando pelos mais vulneráveis”, disse dom Accrocca, ao entregar o prêmio de 45.000 euros aos representantes do “Hantoa Fraternity Hub”, um projeto de hospitalidade (hotel e catering) e uma oficina de costura administrada por mulheres que vivem em uma pequena cidade rural na ilha e diocese de Bougainville, Papua Nova Guiné.
Considerando o mérito dos 78 projetos submetidos, a comissão de avaliação atribuiu dois prêmios adicionais. O primeiro, no valor de 10.000 euros, foi atribuído a uma iniciativa relacionada com a encíclica Laudato si’, da Diocese de Rulenge-Ngara, na Tanzânia. O prêmio beneficia 50 mães adolescentes com menos de 20 anos, que receberão formação na produção de estufas e fogões de baixo consumo energético, na produção de briquetes de casca de arroz utilizando resíduos agrícolas e na produção de absolventes higiênicos reutilizáveis. O segundo, no valor de 5.000 euros, foi atribuído a um projeto em Madagáscar intitulado “M.A.D.E. Perfume de Esperança”, que visa promover a emancipação econômica e social de mulheres jovens e solteiras vulneráveis com menos de 35 anos. Em cooperativa, criaram e continuam a apoiar um fundo de poupança através da produção de sabonete artesanal reciclado a partir de plástico, que é posteriormente vendido em mercados e online, num modelo de economia circular. Os organizadores anunciaram que um total de 275.000 euros foram atribuídos nas várias edições do prêmio, desde 2021 até hoje.







