17 Mar 2026
São Patrício, Bispo (+465)
Imagem do santo do dia

São Patrício nasceu na Escócia. Era um adolescente, quando uns piratas o sequestraram e o venderam na irlanda. Levou vida de escravo. O seu senhor, sacerdote dos ídolos, druida poderoso, teve-o como pastor.

O pensamento de Deus e a oração mantinham-no: "De sol a sol, eu dizia mais de cem orações e outras tantas durante a noite. Quando despontava a aurora, já eu estava rezando nos bosques e nas montanhas, sem que a neve ou a chuva mo impedissem, porque o espírito ardia dentro de mim".

Certa noite fugiu e embarcou para França. Depois chega a Roma, é ordenado sacerdote, e o Papa Celestino 1, depois de ser consagrado Bispo, encarrega-o da evangelização da Irlanda. Chega à Inglaterra com São Gregório e parte para a Irlanda. Nos seus sonhos, imagina ver os filhos dos pagãos irlandeses estendendo para ele os braços e suplicando-lhe com voz angustiosa: "Vem ter conosco, discípulo de Cristo, para nos trazeres a salvação".

Os princípios foram muito difíceis, mas ele sentia-se forte com a ajuda de Deus e não receava os riscos. Sobe que em Tara havia uma importante reunião, presidida pelo rei. Apresenta-se lá - era uma reunião de alto risco pela oposição dos druidas - e põe-se a pregar. Deus dá-lhe forças. Os reis, os druidas e os poetas convertem-se e com eles todo o povo. Em breve a Irlanda será a ilha dos Santos.

Patrício percorre montes e vaies, com a harpa numa das mãos e a cruz na outra. Organiza paróquias, ordena sacerdotes, cria escolas. Não lhe faltam perseguições da parte dos sacerdotes idólatras. Foi preso mais de cem vezes, mas continuava intrépido a pregar. A doçura e a moderação eram o talismã que operava tantas conversões.

A vida de Patrício encontra-se tecida de formosas lendas, muito arraigadas na alma irlandesa. Ao desembarcar, tinha recebido dum ermitão "o bácuio de Jesus", com o qual operaria maravilhas. A sua missão não era suprimir as tradições, mas purificá-las e impregná-ias de cristianismo. Sabe ligar-se com a casta sacerdotal hereditária dos bardos. Os discípulos mais fiéis de Patrício cantarão também aos antigos heróis.

Ossiano, o Homero da Irlanda, estava já ganho pelo amor de Cristo, mas sentia pena de renunciar àquiio que sempre tinha cantado. "Canta, poeta, diz-lhe Patrício, repete as histórias de Finn e de Sigur, mas adora o Verbo que lhes deu o amor da justiça e da glória".

A verdade cristã tinha trazido a reconciliação entre poesia e a fé. Daqui para a frente, a poesia céltica será acolhida nas igrejas, e os futuros bardos serão seus alunos, os monges dos seus mosteiros.

Patrício acolhedor dos poetas, será inflexível com os tiranos Um escocês chegou um dia com as suas hostes às costas da irlanda.

Fez assaltos e levou muitos prisioneiros. Patrício, que tinha conhecido a escravidão, que conhecia a história de Brigída, a bela virgem filha de um bardo, a qual ele tinha batizado, e era uma das donzelas sequestradas, protestou energicamente. Assim o apostrofa: "Vieste engordar com o sangue dos cristãos inocentes, que eu gerei para o meu Deus". Insiste que devolva sem de hora os sequestrados. Prediz-lhe castigos que lhe advirão sem remissão, se não agir com humanidade, moderação e justiça.

Trinta e três anos durou a missão de Patrício. Sem violências, sem efusão de sangue, tinha conseguido conquistar uma nação inteira para Deus, uma nação que continua fiei à sua fé. Já podia ir descansar o servo bom e fiei.