24 Mar 2026
São José Oriol, presbítero (+1727)
Imagem do santo do dia

A São José Oriol, barcelonês, podiam aplicar-se as palavras dum compatriota seu, o Beato Manuel Domingos e Sol. Dizia este Beato tortosense: "Não sabemos se estamos destinados a ser um rio caudaloso, ou se temos de nos parecer com a gota de orvalho que Deus envia no deserto a uma planta desconhecida. Mas, quer seja mais brilhante ou mais humilde, a nossa vocação é certa: Não estamos destinados a salvar-nos sozinhos". É uma bela frase que a todos nos obriga.

A maioria de nós sabe-o. Não estamos destinados a brilhar como uma estrela de primeira grandeza. Mas sim a iluminar, nem que seja como um pequeno pirilampo. Todos devemos ser testemunhas do Evangelho.

São José Oriol brilhou assim. Pela sua humildade e simplicidade. Pela sua falta de aparato e pela sua fidelidade nas coisas pequenas. Por ter dignificado o cargo de beneficiado de uma igreja, ofício tão pouco vistoso.

José Oriol nasceu em Barcelona. Foi sacristão na igreja de Santa Maria dei Mar, e ordenado sacerdote em 1676. Foi beneficiado em Santa Maria dei Pino durante mais de quarenta anos. Santifica-se na sua cadeira coral, simplesmente assistindo pontualmente ao canto das horas canônicas nas Missas conventuais. Para ele, o canto das horas canônicas era verdadeira oração. Nem todos o viviam assim. Conta-se que em certo cabido ocorreu uma tempestade enquanto rezavam no coro. E um cônego, assustado, propôs: "irmãos, vamos para a capela do Santíssimo rezar" (!!!)

Além de beneficiado, foi professor particular de dois meninos durante dez anos. Depois, muitas horas de paciente confessionário, diante do qual se formavam grandes filas. O contato com os filhos de São Filipe Néri ajudou-o muito. E um santo feito por Deus para ensinar serenidade, efetividade em qualquer posto, porque os seus foram sempre muito simples.

E sendo tão simples e sem relevo, estava muito bem preparado. Era muito expedito na língua hebraica. Foi doutor em teologia. Lia muito São João da Cruz. A sua pregação não era muito eloquente, mas o exemplo da sua vida convencia. É um santo taumaturgo. A seu lado florescem os milagres.

Viaja para Roma para visitar o sepulcro dos Apóstolos. Volta a Barcelona, onde lhe indicam que o seu posto está à sua espera. Como beneficiado, encarregam-no de diversos afazeres, alguns incômodos, como o de bolseiro, que reparte as entraçias, e o de apontador dos atrasados. O cargo de enfermeiro é o que exerce com mais gosto. Visita cadeias e hospitais.

Tenta outra vez peregrinar, mas agora como missionário, com destino ao Japão, na mira do martírio. Dizia o Santo Cura de Ars que não acreditava numa vocação sacerdotal sem arroubos missionários. Chegou até perto de Marselha, mas caiu doente e teve que voltar triste a Barcelona.

A austeridade da sua vida era proverbial. Chamavam-lhe "o Doutor Pão e Água", pois esse era o seu único alimento quotidiano. Vivia numas águas-furtadas paupérrimas. O dinheiro que recebia passava diretamente das suas para as mãos dos pobres. Conta-se que uma vez disse o Santo que preferia que o encontrassem morto numa casa de má fama do que com uma peseta no bolso. Era filho de artesãos catalães, que sabiam dar valor ao fruto do trabalho. Talvez a anedota não seja verídica, mas traduz o espírito de Oriol.

Celebrava a Missa com uma unção que a todos comovia. Confessava-se diariamente antes de a celebrar. O Senhor tinha-lhe revelado qual seria a última. Morreu santamente com os olhos postos no Crucifixo, enquanto o coro lhe cantava a meia voz o Stabat Mater. Corria o ano de 1727.