
O Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, nasceu em Cernache do Bonjardim, Concelho da Sertã, (Portugal), no local onde hoje se situa o Seminário das Missões dos Missionários da Boa Nova, no dia 24 de Junho de 1360. Foram seus pais o Prior do Crato da Ordem dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém, D. Álvaro Gonçalves Pereira e Iria Gonsalves do Carvalhal, criada da Corte. O Rei D. Pedro legitimou-o no ano seguinte, a 24 de Julho.
A meninice de Nuno foi normal. Passou-a entre soldados que estavam às ordens de seu pai e também, como era costuma naquele tempo, entregue à leitura dos livros de cavalaria.
Aos treze anos foi admitido na corte do rei D. Fernando para que se adestrasse na milícia e nela deu mostras de grande valentia e extrema habilidade e, por isso, apesar da sua juventude, foi armado cavaleiro e escudeiro da rainha. Em 1376, no dia 15 de Agosto, por obediência às instâncias paternas e embora contrariado pois o exalta já o sonho de imitar o exemplo de Galaaz fazendo voto de castidade, casa com D. Leonor de Alvím, rica dama de Entre-Douro e Minho, já viúva de Vasco Gonçalves Barroso, de que teve três filhos. Dois deles morreram cedo e Beatriz, a terceira, casou com D. Afonso, filho do rei D. João 1, em 1401, que depois foi cabeça de não poucas dinastias principescas europeias.
Portugal e Castela na época em que viveu o Beato Nuno andavam em contínuos litígios bélicos e, durante eles, D. Nuno Álvares Pereira demonstrou grande valentia e destreza militar. Lutou com todas as forças pela independência de Portugal defendendo a candidatura ao trono do Meste deAviz. Foram famosas as batalhas de Aljubarrota e de Valverde de que saiu vitorioso.
Esta agitada vida militar não estorvavam a sua profunda vida cristã que estava sempre em primeiro lugar. Era devotíssimo do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora. Ouvia todos os dias duas missas e aos sábados e domingos, três. Jejuava em honra de Nossa Senhora todas as quartas-feiras, sextas-feiras e sábados, assim como em todas as vigílias das suas festas. Comungava , segundo o costume da época, nas festas mais solenes e confessava-se com muita frequência. No seu estandarte bélico mandou pintar as imagens de Cristo crucificado, da Virgem Maria e dos padroeiros das guerras: Santiago e São Jorge.
Antes de cada batalha exortava os soldados a confiar muito na ajuda do céu e atribuía à proteção da Virgem Maria todas as vitórias que conseguia. Na famosa batalha de Valverde foram encontrá-lo rezando atrás de um rochedo para alcançar a vitória, o que de fato aconteceu.
Demonstrando gratidão por esta ajuda poderosa da Virgem Maria, visitava em peregrinação os mais famosos santuários, assim como as mais humildes ermidas dedicadas a Nossa Senhora e , em sua honra, levantou vários templos. Famoso foi o magnífico templo do Carmo em Lisboa que foi destruído por um incêndio em 1755.
Depois da morte da esposa, que ocorreu em 1387, já não quis contrair novas núpcias e sempre foi exigente com a moralidade dos soldados e mais ainda com a sua. Era um modelo de todas as virtudes.
Perante a admiração e espanto de todo o Portugal, no dia 15 de Agosto de 1423, abandonava todas as suas riquezas e honras e vestia o hábito carmelita como Irmão donato no convento de Lisboa com o nome de Frei Nuno de Santa Maria. No convento foi a admiração de todos pela sua grande humildade, serviço, caridade e piedade. Para se afastar mais do mundo quis retirar-se para um convento remoto onde não o conhecessem, mas não Iho permitiram. Dele diz a Crônica dos Carmelitas:
«Aos sacerdotes fazia tão profunda veneração que passava a ser obediência. A um criado seu de muita distinção, que havia tomado o hábito da nossa Ordem, assim que o viu professo e feito sacerdote, começou a respeitá-lo em tal forma que a todos causava admiração..
Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara».
Era o dia 1 de Abril de 1431. Quis ser sepultado na capela mor do convento do Carmo.
Foi beatificado por Bento XV, em 23 de Janeiro de 1918. Camões cantou-o em Os Lusíadas, nos cantos IV e VIII.
Em 2003, foi reaberto o processo da sua canonização.
Oração Beato Nuno de Santa Maria
Senhor nosso Deus, que destes ao bem-aventurado Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornaste exímio vencedor de si mesmo, concedei aos vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Amém.

