22 Abr 2026
São Sotero (+175) e São Caio (296), Papas

Não foram tempos nada fáceis aqueles em que viveu São Sotero (166- 175). Foi o sucessor no pontificado do Papa Aniceto, falecido em 165. Tinha nascido na Campânia italiana, em Fondi, e seu pai chamava-se Concórdia.

Durante o seu pontificado, estendeu-se a Igreja, pois ele ordenou bastantes diáconos, sacerdotes e bispos. No campo disciplinar, promulgou leis sobre o lugar das mulheres na igreja e, sobretudo, combateu com grande coragem as heresias que se abatiam sobre a Igreja naqueles tempos iniciais do cristianismo.

No seu tempo espalhou-se a heresia de Montano que propugnava um exagerado rigorismo de costumes. Os cristãos deviam praticar a penitência mais rigorosa e a vida mais perfeita, para não cairem em pecado, sobretudo se se tratasse de pecados muito graves, pois estes não podiam ser perdoados, porque a Igreja não tinha poder para isso. Esta doutrina que seria depois defendida por Tertulíano e, sobretudo, Novaciano, foi condenada pela Igreja no tempo do Papa São Sotero. Este defendeu a doutrina que sempre se tinha pregado e defendido na Igreja desde Jesus Cristo, segundo a qual, para o pecador arrependido, não há pecado algum, por maior que seja, que não possa ser perdoado. Assim desaparecia o clima de rigorismo e de pessimismo que atormentava os cristãos, tão em contradição com a doutrina evangélica, que é de amor, perdão, alegria e esperança...

Outra característica de São Sotero foi a sua ardente caridade para com os necessitados. Era tudo para todos e queria que se vivesse de acordo com o que os Atos dos Apóstolos afirmam dos primeiros cristãos que "tudo tinham em comum entre si", e que "todos eram um só coração e uma só alma",.. São Sotero pedia esmolas às Igrejas mais ricas para as distribuir pelas mais pobres e esforçava-se "por tratar a todos com palavras e obras como um pai trata os seus filhos". Durante o seu pontificado, o imperador Marco Aurélio (161-180), perseguiu ferozmente a Igreja e nesse tempo houve muitos mártires, entre os quais o próprio Papa que parece ter morrido mártir a 22 de Abril de 175.

São Caio viveu um século mais tarde e, apesar disso, na tradição cristã, andaram sempre juntos os dois Santos, embora nada tenham tido em comum, a não ser terem morrido por Cristo e terem sido Bispos de Roma. A sua vida está entretecida de lendas e dados pouco dignos de fiança, mas sabemos que ele sucedeu no pontificado ao Papa Santo Eutiquiano, no ano de 283. A ultima perseguição mais violenta foi a de Valeriano. Depois, quase todo o século III foi tempo de paz e durante ele a Igreja robusteceu-se fortemente. São Caio aproveitou-se desta paz e patrocinou sobretudo as duas escolas célebres do Oriente, de Alexandria e de Antioquia que tantos e tão ilustres filhos produziram. Apesar desta paz relativa, também houve alguns focos de perseguição e, de fato, o próprio Papa São Caio passou temporadas escondido nas Catacumbas de São Calisto, donde animava os cristãos. Ele, corajoso, animava a que fossem fiéis a Jesus Cristo e que por nada deste mundo renegassem a sua fé. Se não estavam dispostos a morrer por Jesus Cristo, - dizia-lhes -pelo menos que perseverassem ocuIto~, entregues à oração e boas obras.

No ano 283, começou uma nova perseguição contra os cristãos decretada por Caro, que embora não tão sangrenta como as outras anteriores, causou grandes danos à Igreja, sendo muitos os homens e mulheres que derramaram generosamente o seu sangue por confessarem a Jesus Cristo.

Não são claras as notícias sobre o martírio de São Caio. Há historiadores que afirmam que morreu mártir, por causa das perseguições e também há quem negue que tenha sido mártir. Desde o século IV, celebra-se neste dia. Morreu em 296.