13 Mar 2026
Santa Eufrásia, virgem (+410)
Imagem do santo do dia

Santa Eufrásia, mais ilustre pela sua virtude do que pela sua nobreza, nasceu em Constantinopla, cerca de 380, nos tempos do imperador Teodósio o Grande, de quem ainda era parente. Seus pais, Antígono e Eufrásia, eram modelo de virtudes na corte. Ofereceram a sua filha a Deus, e depois viveram em continência para mais livremente se dedicarem à prática das virtudes.

Todo o esmero da virtuosa mãe foi a educação cristã da filha. Falava-lhe do amor a Jesus Cristo, da salvação eterna, do horror ao pecado, do santo temor de Deus. A menina Eufrásia aprendeu tão bem a lição que na tenra idade de cinco anos já era causa de admiração para todos.

Aos cinco .anos perdeu o pai. O imperador tomou-a sob a sua tutela. Era tão prendada que teve muitos pretendentes. O imperador assinou por ela um compromisso para quando fosse maior. Também sua mãe teve muitos pretendentes, ela que ficara viúva aos 22 anos, tão admirada pela virtude como pela formosura. Mas a mãe, que já tinha feito voto de castidade, dirigiu-se para o Egito com a filha, procurando um retiro para dedicar a Deus o resto da vida.

Encontraram no Egito um convento de religiosas de clausura perpétua, de vida muito santa e de muita austeridade. Aí acudiam com freqüência mãe e filha para se aproveitarem do exemplo das suas virtudes e para cantar com elas gostosamente os louvores do Senhor.

A deliciosa menina, com uma inteligência superior à idade, pois contava apenas 10 anos, como que inspirada por Deus, decidiu ficar naquele convento para sempre. Pôs-se de joelhos diante dum Crucifixo, abraçou-o ternamente e exclamou: "Eu me consagro a Vós para sempre, meu doce Jesus. Não sairei deste convento, porque não quero outro esposo senão a Vós". E escreve ao imperador para desfazer o compromisso que ele tinha assinado do seu matrimônio.

A mãe, desfeita em lágrimas de alegria, ao ver a precoce generosidade da filha, abraçou-a com ternura, e ela mesma ofereceu também a Deus aquela inocente vítima.

Pouco tempo depois, a mãe, debilitada pelas muitas austeridades, adormeceu no Senhor. Ela e o marido estão canonizados.

Sua filha chorou-a com lágrimas de consolação e esperança. E unida já com mais estreitos laços ao céu do que à terra, redobrou os seus fervores, aumentou as penitências, procurava os trabalhos mais humildes, servia a todas as irmãs, e seria impossível descrever o amor deste serafim a Jesus Cristo.

O demônio não podia deixar de combater tão nobre princesa de sangue e de espírito. Mas a sua obediência à abadessa, a sua provada humildade e a sua plena confiança em Jesus Cristo ajudaram-na a sair sempre vitoriosa de tais combates. Apontemos um exemplo, digno das "Florinhas". A abadessa manda-a deslocar umas enormes pedras. A doce Eufrásia obedece humildemente. Desloca-as sem dificuldade. No dia seguinte manda pô-las no lugar anterior. E assim durante um mês, sem mostrar o menor sinal de impaciência.

Para mais provar a sua virtude, permitiu o Senhor que fosse perseguida pela inveja e ciúmes de algumas religiosas, sobretudo duma cujo nome era Germana, que lhe chamava hipócrita e ambiciosa. A resposta da nossa Eufrásia foi lançar-se-lhe aos pés, e com a maior humildade pedir-lhe perdão, ao mesmo tempo suplicar-lhe que re¬zasse por ela, por amor de Deus.

O Senhor estava satisfeito com a sua fiel esposa, e pelo ano de 410, ocupando a cadeira de São Pedro o Papa lnocêncio 1, quando Eufrásia rondava os trinta anos de idade, coroou a sua vida santa com uma preciosa morte. Todos diziam que ela tinha sido um anjo caído do céu.