11 Mar 2026
São Vicente e Ramiro, mártires (séc VI)

Jesus tinha prevenido os seus discípulos que nunca faltariam na igreja perseguições. "Se a mim me perseguiram, também a vós vos perseguirão. Se fôsseis do mundo, o mundo não vos odiaria. Mas, como não sois do mundo, o mundo vos perseguirá". Assim tem acontecido sempre. Desde as perseguições romanas, os hereges têm perseguido os católicos.

No século VI dominavam na Galiza os suevos que se tinham deixado contagiar pela heresia ariana. São Vicente era abade do mosteiro de São Clódio, na cidade de Leão, e acérrimo defensor da divindade de Jesus Cristo. Este era o ponto fulcral da renhida controvérsia entre católicos e arianos. Os hereges reuniram um conciliábulo na cidade e citaram Vicente para o obrigarem a abraçar a heresia. O abade apresentou-se, mas depois de proclamar a sua fé e atacar a heresia, afirmou que não acreditava noutra fé senão naquela que foi definida pelo concílio de Niceia, e por ela estava disposto a derramar o seu sangue, se necessário fosse.

Irritados os arianos, que não esperavam tanta valentia, descarregaram contra ele todo o seu furor e violência, açoitaram-no horrivelmente e encerraram-no num hediondo calabouço. Vicente, como já sucedera com os apóstolos e tantos outros mártires, sentia-se feliz por sofrer por Jesus Cristo.

Tiraram-no do calabouço, para ver se depois dos tormentos, cedia e aderia ao arianismo. Mas vendo aquela invencível fortaleza, condenaram-no à morte, que seria executada às portas do mosteiro, para que os monges vissem o que os esperava, se prosseguissem no mesmo comportamento. Assim o cumpriram pontualmente os verdugos. O santo abade morreu confessando corajosamente a sua fé na divindade de Jesus Cristo.

Não tinha ficado satisfeita a sede de sangue daqueles hereges, que resolveram acabar com todos os monges do mosteiro de São Clódio.

Ramiro tinha ficado como substituto de Vicente na direção do mosteiro, e estava disposto a seguir os passos do santo abade. Mas não sabia a disposição dos outros monges. Tinha notado diversas atitudes e estava preocupado.

Em tão críticas circunstâncias, Ramiro falou aos monges duma dupla possibilidade. Os que se sentissem fortes, tinham de preparar-se para o martírio; os pusilânimes tinham de retirar-se para as montanhas.

Mas rogo-vos, disse-lhes, que não percais a coroa que se nos apresenta, nem vos prive da visita do Senhor respeito algum do mundo. Não vos acobarde, irmãos, o furor dos hereges, nem vos atemorizem as crueldades que cometem contra os defensores da divindade de Jesus Cristo pois que o mesmo Senhor está conosco, ele que nos escolheu para combater contra os inimigos da fé católica, triunfando deles com a sua divina assistência, para reinarmos por toda a eternidade nas moradas do Senhor.

Retiraram-se os outros monges para as montanhas da Galiza, e Ramiro com doze intrépidos religiosos puseram-se em oração, dispostos a dar a vida por Jesus Cristo Não se fizeram esperar os hereges. Bem armados e com sede de sangue e cheios de violência, apresentaram-se no mosteiro. Os monges puseram-se a cantar com fervor o símbolo niceno, pondo especial fervor nas palavras que afirmam a divindade de Jesus Cristo. O Senhor fortalecia-os interiormente a todos eles.

Isto exasperou ainda mais os arianos. Arremeteram furiosos contra eles e mataram-nos a cutiladas. Assim, rezando e cantando, se encaminharam jubilosos para o paraíso, para receber a gloriosa coroa do martírio.