04 Fev 2026
São João de Brito, presbítero e Mártir (+1693)
Imagem do santo do dia

São João de Brito é, sem dúvida, o grande expoente da missionação portuguesa, o verdadeiro símbolo dos grandes evangelizadores que, partindo da "ocidental praia lusitana", chegaram a todas as terras descobertas pelos portugueses, a partir do século XV, alcançando os longínquos povos de África, Ásia, Brasil, Oceania...

João de Brito nasceu em Lisboa no dia 1 de Março de 1647. Muito jovem ainda, ficou órfão de pai que morreu no Brasil onde era governador.

A mãe dedicou-se então totalmente ao cuidado dos filhos. João foi educado como pagem da corte, onde logo começou a distinguir-se pelas virtudes que praticava e pelo espírito de sacrifício a que aspirava. Já nessa altura lhe davam o codinome de "mártir' Foi assaltado por gravíssima doença, chegando os médicos a desesperar de lhe salvar a vida. Sua mãe, todavia, não perdeu a esperança e obteve de São Francisco Xavier o milagre da cura.

Aos 14 anos, solicitou a admissão entre os noviços da Companhia de Jesus. Mas teve de vencer enormes dificuldades, antes de conseguir a realização do seu desejo. Em 17 de Dezembro de 1662, viu finalmente realizado o seu sonho de ser jesuíta. O seu grande anseio era partir para a Índia, para evangelizar os pagãos, seguindo o exemplo de Francisco Xavier. Depois de muitas lutas, partia de Lisboa em Março de 1673, integrado numa expedição de 17 missionários. A viagem duraria seis meses, durante os quais se dedicou a prodigalizar socorro espiritual e temporal aos muitos que adoeceram nesse percurso. Finalmente, em Setembro desse mesmo ano, chegaram a Goa. Já era sacerdote, mas teve de concluir os estudos de teologia. Depois de se ter dedicado à aprendizagem das línguas nativas, os Superiores destinaram-no à Missão do Maduré. Era uma das mais difíceis e trabalhosas, não só pela rudeza do clima, como também e sobretudo pelo temperamento dos natívos e seu sistema de vida, divididos em castas que não toleravam os mais fracos ou párias, que não tinham casta.

João de Brito procurou amoldar-se aos costumes locais, adotando os seus trajes e modos de viver. Levava uma vida austera e rigorosa ao máximo: só comia arroz, legumes, algumas ervas e leite, sem nunca tocar em carne ou peixe. Dormia na terra nua ou sobre uma pele de tigre estendida no solo. Percorreu o território da sua Missão por várias vezes, enfrentando muitos perigos e até a própria morte.

Entre 1686 e 1688, foi São João de Brito sujeito a terrível martírio, com alguns catequistas. Foi condenado à morte, a ser espetado, depois de lhe cortarem os pés e as mãos. Contudo, não seria ainda desta vez que colheria a palma gloriosa do martírio por que tanto ansiava.

Veio então uma carta do Superior Provincial que o mandava regressar a Lisboa, aonde chegou em 8 de Setembro de 1688, sendo recebido com enorme admiração por todo o povo e pela própria corte. Quiseram retê-lo, destinando-lhe novos cargos e benefícios que o grande missionário recusou. Bem se empenhou a mãe para conseguir que não voltasse às Missões do Maduré, mas tudo sem êxito. Quis o rei fazê-lo preceptor do príncipe e dos infantes, para o impedir de voltar à Índia. Mas tudo foi inútil. Nada o demoveu dos seus propósitos. Já no seu campo de trabalho, conseguiu a conversão dum importante príncipe local, o que foi motivo para a sua condenação à morte, pela segunda vez.

Foi preso e conduzido à presença do rajá, que entretanto mandara saquear as igrejas e destruir os vestígios cristãos. Assistindo ele ao interrogatório de dois jovens cristãos, advertiu o rajá dos excessos que cometia, dizendo que ele é que devia ser castigado, pois era quem os batizara. O rajá ficou irritado e descarregou no missionário toda a sua fúria e ódio. Mandou-o a um seu irmão para que se encarregasse de o mandar degolar, visto que temia algum motim da parte do povo. A ordem foi cumprida no dia 4 de Fevereiro de 1693, num outeiro, perto de Urgur. Depois do bárbaro crime, o corpo de João de Brito foi decepado de mãos e pés e atado a um poste erguido no local onde antes ele estivera em oração. Os seus despojos foram devorados por feras, conseguindo os cristãos salvar apenas algumas poucas relíquias. "Quero mais os matos do Maduré do que o Paço de Portugal" - foi a frase que nos legou, numa síntese de toda a sua ânsia de perfeição e espiritualidade. Foi beatificado por Pio IX em 1852 e canonizado por Pio XII em 1947, na presença de muitos representantes do povo português e das Missões do Ultramar. Este ato seria motivo para um novo ressurgir do espírito missionário português e para o despertar de muitas e nobres vocações ao apostolado.

Oração de S. João de Brito

Senhor, que fortalecestes com invencível constância o mártir São João de Brito para pregar a fé entre os povos da Índia, concedei-nos, por seus méritos e intercessão, que, celebrando a memória do seu triunfo, imitemos os exemplos da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém