
Estamos diante dum homem gigante. Dele se fizeram elogios bem merecidos. Eis alguns: «Apóstolo de França. Glória de Espanha. Protetor de Itália. Monge e Cavaleiro do espírito. Alma de silêncio e língua de verdade. Cenobita e trovador do Evangelho. Ilustre fundador da Ordem dos Pregadores. Precursor do Santo Rosário...». Dante na Divina Comédia chama-o «Esplendor de luz querubina». E a liturgia: «como a estrela da manhã, como lua cheia no verão, como sol refulgente, assim brilhas tu na Igreja de Deus».
Da ilustre família dos Gusmões nasceu em Caleruega (Burgos) no ano de 1171. Foram seus pais Félix Gusmão e Beata Jaana de Aza. Desta grande mulher recebeu Domingos a primeira educação.
Quando contava apenas seis anos foi entregue a um tio, arcipreste, para que o educasse nas ciências. Aos catorze anos foi enviado para o Estudo Geral de Palência, que era a escola mais famosa de Espanha, para se formar em todos os ramos do saber daquele tempo, que abarcava as ciências humanas e a teologia.
Enquanto Domingos estuda com toda a alma e se embrenha na Sagrada Escritura acontece uma coisa que o distrai um pouco da sua completa dedicação: sobreveio naqueles dias uma fome devastadora na cidade de Palência. Domingos entregou pouco a pouco tudo quanto tinha para auxiliar aquela gente tão necessitada. Chegou um dia em que já só tinha os seus livros. Mas se os vendesse ou entregasse a troco de qualquer coisa para os pobres, como poderia estudar? Por outro lado, estão cheios de anotações que foi escrevendo pacientemente dia após dia. E pensa. «Mas como poderei eu continuar a estudar em pergaminhos (peles mortas), quando irmãos meus em carne viva morrem de fome?». Era assim este Domingos: homem que, por caridade, se esquecia de si mesmo e só pensava em seus irmãos.
Jesus ia moldando a sua alma. A caridade ia dilatando o seu grande coração. Até agora tinha feito uma coisa: dar esmola. Mas o que lhe pedia agora o Mestre era: que se desse a si mesmo. Que O seguisse. Encontrou essa ocasião quando uma mulher chega a sua casa e lhe diz: «O meu irmão ficou prisioneiro dos mouros... » E, nem lento nem medroso, porque já lhe não restava mais nada para dar, entrega-se a si mesmo como escravo. Todos falam de Domingos. Chega aos ouvidos do Bispo de Osma, D,Martin Bazán, que o manda chamar para que aceite ser cônego da catedral. Tinha vinte e quatro anos. Aceitou o canonicato, pensando sempre poder fazer alguma coisa de bem àqueles cônegos. Depressa se tornou um modelo para todos. Era o mais pontual na recitação do Ofício divino. O mais pobre. O mais caritativo.
Chega aos ouvidos de Domingos o rumor dos destroços que os hereges fazem em França e quer atalhar tão grande mal. Para isso vai lá e prega com fogo a verdadeira fé de Jesus Cristo. E, para que o que vai fazendo tenha continuidade, pensa formar com os companheiros que o seguem uma Ordem que se dedique a pregar a Palavra de Deus. Assim nasce a ínclita Ordem dos Pregadores ou dominicanos. Pouco depois surgirá também o ramo feminino.
Percorreu grande parte da Europa, pregando a Palavra de Deus e tentando afastar os homens do pecado. A ele se atribui também a origem do Rosário que «como compêndio do Evangelho» e «devoção das almas simples e contemplativas» tanto bem fez e continua a fazer a quem o reza com devoção. Unia-o uma grande amizade a São Francisco de Assis. Já em vida gozou de grande fama de santidade não apenas pelos muitos milagres que o Senhor fez por seu intermédio, mas ainda pela vida tão santa que levava e transmitia aos outros. Em Bolonha voou para o céu aos cinquenta anos de idade, no dia 6 de Agosto de 1221.

