
Encontramo-nos perante uma daquelas santas que têm em si muito mais coisas dignas de admiração do que de imitação. E não se trata duma santa antiga, mas dos nossos dias. De fato, nasce numa família pobre, em Camigliano, uma bonita aldeia da Toscana, perto de Luca (Itália), no dia 12 de Março de 1878.
Deus conduz Gema quase desde o nascimento por caminhos extraordinários que, em breve, despertarão a atenção de todos. A vida de Gema será uma dessas vidas que, desde que teve o uso da razão até à morte, e ainda muito para além da morte, terá fanáticos seguidores que em tudo verão nela o sobrenatural, mas também empedernidos detratores que nela só verão histerismos físicos e morais e até influências diabólicas.
Gema Galgani deve ser julgada de acordo com os avanços da ciência dos nossos dias, e aceitar que o Senhor tanto pode escolher para seus amigos - que nós chamamos santos - pessoas saudáveis como pessoas enfermas. Gema, a nossa protagonista, pertenceu ao número das segundas, e mediante as suas doenças, suportadas com grande heroísmo, chegou até à santidade, reconhecida primeiro pelos seus concidadãos e, depois, pela própria Igreja.
Desde que teve o uso da razão, viu-se que Gema era esperta, inteligente, sagaz, mais do que as crianças da sua idade, embora não fosse um prodígio, como às vezes se quer fazer crer. Desde muito pequenina, ficou órfã e foi admitida a fazer parte duma família que sempre a teve mais como filha do que como criada.
Gema teve sempre interesse em conhecer qual era a vontade de Deus, que ela queria cumprir a todo o custo, como meio de Lhe dar glória e assim conseguir a própria santificação pela qual lutou com todas as veras da sua alma.
Se houvesse de assinalar em Gema alguma virtude, haveria que distinguir, sobretudo, estas: a caridade, em que sobressaiu de modo admirável, pois parece que só lhe interessava servir e atender aos outros, esquecendo-se de si mesma; a obediência cega e sem limites aos superiores. Para ela, eles representavam Deus e, por isso, tinha a certeza de que obedecendo-lhes, não se podia enganar. Mais: a simplicidade e a humildade, pois sentia-se sempre muito pouca coisa e até a última de todas, não para chamar a atenção, mas porque tinha de si mesma esse juízo de tão pouco valor. A pureza, em cuja matéria era como um anjo. Não permitia que nesta virtude nada nem ninguém pudesse manchar a brancura da sua alma e do seu corpo.
Se tudo o que se conta na sua vida se tratasse de uma santa da antiguidade, julgar-se-ia que eram coisas inventadas pelo autor. Mas sabe-se que Gema passou por uma série de enfermidades tão raras que parecem quase impossíveis de explicar pela ciência de hoje.
Passava de um momento de gravidade a ficar curada por completo sem explicação plausível. Do berço até à morte foi atacada por toda a espécie de doenças. Os médicos não sabiam como explicá-lo.
Pareciam graças sobrenaturais ou possessões diabólicas. O seu confessor, o bispo Volpi, atribuía a histerismo os fenômenos que lhe aconteciam, enquanto o seu diretor espiritual, o passionista Padre Germano de Santo Estanislau, assegurava que era de origem espiritual tudo quanto sucedia a Gema.
Entretanto, ela cravava o seu olhar no Crucifixo e entregava-lhe todo o seu ser. Até os seus familiares se riam dela e julgavam que tudo era falso e invenção de Gema que era muito sensível e emotiva. Ela refugiava-se na meditação da Paixão do Senhor, cujas chagas ou estigmas recebeu no seu corpo aos 22 anos.
Esta menina tão enfermiça, de família toda doente e falecida prematuramente, é um bom modelo também para todas as pessoas que são provadas com a cruz da enfermidade. Gema soube abraçar-se a ela e caminhar com ela. Teve muitas graças místicas, mas foram muito mais importantes as virtudes que sempre praticou.
Finalmente, contemplando o Crucifixo, com um sorriso nos lábios, expirou suavemente a 11 de Abril de 1903, com apenas 25 anos de idade. Foi canonizada solenemente a 2 de Maio de 1940, pelo Papa Pio XII.

