18 Mar 2026
São Cirilo de Jerusalém, Bispo e Doutor d Igreja (+386)
Imagem do santo do dia

São Cirilo de Jerusalém era um homem cheio de paz e mansidão, no meio da agitação do seu tempo. Nasceu em Jerusalém ou arredores pelo ano de 315. Nada sabemos da sua juventude. Há indícios de que a tenha passado na vida monástica, em estudo e oração. Teria uns trinta anos quando São Máximo de Jerusalém o ordenou sacerdote. Eleito bispo de Jerusalém, ocupa o tempo a instruir o povo, atrair os marginalizados e socorrer os pobres. Em razão duma grande fome, quando muitos discutiam sobre o modo de atender os pobres, São Ciriio desfez-se dos tesouros da igreja.

O século IV é o século das grandes lutas religiosas e teológicas. Os doutores escrevem, argumentam, atacam-se. Há uma grande efervescência, à qual tentarão pôr cobro os concílios. E no meio das discussões e dos livros polêmicos, surge um homem conciliador, Ciriio, e um livro sereno e repousado, as suas Catequeses. Hiiário e Atanásio apoiavam-no.

Cirilo sofria ao ver as lutas fratricidas dos Bispos. O povo fiei ficava desconcertado. Ciriio buscava a moderação e o compromisso, mas reprovava os erros claros, como o arianismo, que negava a divindade de Jesus Cristo, e o sabeiianismo, que negava a distinção de pessoas na Trindade.

Os arianos voltaram-se violentamente contra ele. É acusado, deposto, expulso da cidade santa. Três vezes é desterrado, e na última teve de passar onze anos entre as ceias dos anacoretas. Assiste ao Concílio 1 de Constantinopla, II ecumênico, tem a consolação de ver triunfar as suas idéias e vê com alegria que a concórdia vai renascendo.

A tarefa principal de São Ciriio era a tranquila instrução do seu povo sobre todos os mistérios da nossa fé, começando pela preparação dos catecúmenos para a recepção do batismo. As suas Catequeses são um modelo de simplicidade e profundidade. São catequeses chamadas mistagógicas, porque introduziam os ouvintes no mistério. Pregava-as sem descanso e muitas vezes fazia-o na própria capela do Santo Sepulcro.

Num tempo de tantos erros trinitários, expunha a verdadeira doutrina claramente. "A nossa esperança está no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Não pregamos três deuses. Caiem-se os marcionistas! Não admitimos na Trindade nem confusão, como Sabéiio, nem separação, como fazem outros". Era uma alusão muito clara a todos os partidários de Ano.

Um dos mistérios que trata com mais precisão é o da presença real de Jesus na Eucaristia. Diz ele aos seus neófitos: "Sob a figura do pão, recebeis o Corpo de Cristo, e sob as aparências de vinho recebeis o seu Sangue, e essa recepção faz de vós..um só corpo e um só sangue com Ele".

Depois explica como os fiéis devem aproximar-se da sagrada mesa: "Fazei da vossa mão esquerda como um trono em que se apoie a mão direita, que há-de receber o Rei. Santificai logo os vossos olhos com o contato do Corpo divino e comungai. Não percais a menor partícula. Dizei-me: Se vos entregassem pepitas de ouro, não as guardaríeis com o maior cuidado? Pois mais preciosas que o ouro e a pedraria são as espécies sacramentais".

Homem prudente e moderado, não queria entrar em controvérsias, nem usar termos discutíveis. Preferia servir-se de fórmulas já consagradas, que não molestassem ninguém. Mais do que teólogo, é catequista que instrui piedosamente os seus fiéis A Igreja honrou-o sempre como o príncipe dos catequistas. O seu sonho de ver apaziguados os espíritos estava-se cumprindo. Assim entregou a sua alma a Cristo, por quem tanto tinha sofrido. Era, segundo a opinião comum, o dia 18 de Março de 386.