16 Fev 2026
Beato Jordão da Saxónia, presbitero (+1237)
Imagem do santo do dia

Não é coisa fácil encontrar em toda a história da Igreja outro caso semelhante a este do Beato Jordão da Saxónia. Deus, na sua Divina Providência, tem preparado todos os caminhos, mas nós somos livres de os seguir de uma forma ou outra.

Paris quase sempre tem sido um dos pontos de partida mais importantes no futuro da humanidade. Pelo ano de 1219, realiza-se aí um encontro daqueles que fazem história. Um venerável religioso chamado Domingos de Gusmão faz furor com as suas pregações e com os muitos homens que o seguem desde que há uns anos veio de Espanha - tem um encontro com um valente jovem, já um tanto maduro, mais em sabedoria e virtude do que em anos. Chama-se Jordão.

Desse encontro surgirá uma vocação e um apelo para seguir pelos caminhos que Domingos lhe assinala.

Havia já tempo que ele andava em busca desse caminho, e agora, sem quase o esperar, lho indicam.

- Ordena-te diácono e segue Jesus Cristo"... Pouco depois, o mesmo Jordão pedira para seguir a Jesus Cristo, mas dentro da Ordem fundada por aquele homem, a Ordem dos Pregadores ou dominicanos, como virá a ser chamada mais tarde.

Já é noviço. No ano seguinte, 1221, há Capítulo Geral e nomeiam-no Provincial da Lombardia, a província mais importante e difícil de governar de toda a Ordem. Morre São Domingos, o fundador daquela grande obra, e a 22 de Maio de 1222, dois anos depois de ter começado o noviciado, é eleito, por unanimidade, Prior Geral de toda a Ordem Dominicana, como sucessor imediato do santo fundador... E foi Superior Geral até à sua morte, que acorreu em 13 de Fevereiro de 1237.

São Domingos foi o fundador, mas o Beato Jordão foi o consolidador e fecundo propagador daquela semente que São Domingos lançara à terra. À distância de mais de sete séculos, ficamos admirados como pôde - contando com os meios de comunicação que então havia - multiplicar-se de modo tão prodigioso uma obra desta natureza. Durante os seus anos de Superiorado, fundaram-se 249 conventos novos, instituiram-se quatro novas províncias e reforçaram-se os conventos já existentes. No convento onde ele vivia, eram tantos os jovens que ingressavam a vestir o hábito dominicano, e os já professos que saíam dele para abrir novas casas, que alguém o comparou "a uma colmeia de abelhas"...

Entre as novas vocações que recrutava para a Ordem, contaram-se homens muito ilustres em todas as nações que lhe deram um grande prestígio. Ele mesmo pregou em várias catedrais, visitou e deu aulas em várias Universidades então famosas, não só na Itália, como também na Inglaterra, Alemanha, França, etc...

Era muito virtuoso Acima de tudo, distinguia-se pela caridade.

Um dia, encontrou um mendigo transido de frio e deu-lhe o seu manto. O mendigo logo o vendeu e foi embebedar-se. Perante as recriminações dos frades - que conservavam o manto - Jordão respondeu-lhes: "Vale mais perder o manto do que o amor.

Apesar de tanta bondade, também sabia ser duro e firme quando se tratava de coisas que se referia a algo muito sério, em que estavam em jogo os interesses da Igreja ou da Ordem. Assim o foi com Frederico II e com os superiores que não procuravam sê-lo como deviam. A um procurador que lhe pedia que o dispensasse do cargo, respondeu. "Meu filho, este cargo traz consigo quatro coisas: a negligência, a impaciência, o trabalho e o mérito; dispenso-te das duas primeiras.., mas deixo-te as outras duas".

O Beato Jordão, sobretudo, foi dotado de uma qualidade especial para comover os ouvintes. Com tal dom soube encher os conventos de aspirantes à vocação e fazer que em todos os seus conventos se vivesse na perfeita observância regular que o santo fundador lhe imprimira. Expirou no Senhor a 13 de Fevereiro de 1237.

O seu culto foi aprovado pelo Papa Leão XII, em 1828.