
Devemos a Jorge Sans Vila uma curiosa definição de vocação: a vocação é um micróbio. Na verdade, a vocação é algo que se contagia de pais para filhos, entre amigos, entre irmãos. (A título de exemplo concreto, esta coleção de Os Santos do Mês foi escrita por quatro irmãos sacerdotes).
Na família de São Basílio a santidade era uma herança. Os seus pais foram São Basílio e Santa Amélia. A sua avó era Santa Macrina. Os seus irmãos: Santa Macrina, São Pedro de Sebaste e São Gregório Niceno.
São Basífio nasceu em Cesareia da Capadócia no ano 330. Estudou em Constantinopla e em Atenas, com Juliano - o Apóstata - e Gregório de Nazianzo. Destacou-se entre os companheiros pela sua grande cultura e virtude.
Grande viajante, percorreu a Síria, a Palestina, a Mesopotâmia, o Ponto e o Egito. Queria conhecer adequadamente a vida religiosa, então florescente naquelas regiões. Assim se converteu num enorme impulsionador e organizador do monacato no Oriente com as suas famosas Regras monásticas, à semelhança de São Bento no Ocidente.
Não se limitou a viver como um monge e a organizar outros monges. Nomeado bispo de Cesareia, sua cidade natal, brilhou como um astro refulgente, tanto que já antes da sua morte, a 1 de Janeiro do ano 379, lhe deram o nome de Basílio, o Grande. Distinguiu-se pela sua preocupação social, pelos seus numerosos escritos, pela sua oratória arrebatadora, pela sua santidade, que era apreciada tanto pelos cristãos, como pelos judeus e pagãos. Nos seus sermões acusava os ricos que entronízavam o deus dinheiro e que se esqueciam dos necessitados.
A vida de São Gregório de Nazianzo possui um notável paralelismo com a de São Basílio. Gregório era também da região da Capadócia, e o seu apelido resulta de ter nascido junto a Nazianzo, no mesmo ano de Basílio. Estudaram juntos em Atenas, foi também monge e, mais tarde, foi nomeado patriarca de Constantinopla. Presidiu ao Primeiro Concílio de Constantinopla, que foi o II ecuménico. Nele se definiu a divindade do Espírito Santo, contra Macedónio, e se proclamou o credo da Missa, denominado nicenoconstantinopolitano.
As suas vidas, além de paralelas, são também complementares. Basílio é mais ativo e empreendedor. Gregório tinha uma maior preferência pelo estudo, pela poesia e pela oração. Por isso renuncia à sua sede e regressa à sua terra natal, para se dedicar sobretudo à oração e aos escritos teológicos; longe do barulho do mundo. Morreu no ano 389, dez anos mais tarde que Basílio. Foi chamado o Teólogo, pela sua rica doutrina e eloquência.
Como Gregório lhe sobreviveu, escreveu um sermão eloquente de louvor a Basílio, no qual ressalta a profundidade, a fecundidade e qualidade da sua mútua amizade. "Movia-nos um mesmo desejo de saber, atitude que costuma gerar profundas invejas, mas nós, sem dúvida, carecíamos de inveja. Pelo contrário, tínhamos em grande apreço a emulação. Competíamos entre nós, não para ver quem era o primeiro, mas para ver quem cedia ao outro a primazia. Cada um de nós considerava a glória do outro como sua".
"Uma só tarefa e desejo havia para nós, que era a virtude e o viver para as esperanças futuras, de tal modo que, ainda antes de termos partido desta vida, se pudesse dizer que já tínhamos emigrado dela. Esse foi o ideal que nos propusemos e assim tratamos de dirigir a nossa vida e as nossas ações, dóceis à direção do mandato divino, incentivando-nos mutuamente no exercício da virtude. E, a não ser que afirmar isto pareça uma extrema arrogância, éramos um para o outro a norma e a regra com que se discerne o reto doiortuoso".
Oração a São Gregório
Senhor Deus, que iluminastes a vossa Igreja com os ensinamentos e exemplos de São Basílio e de São Gregório Nazianzeno, fazei que procuremos humildemente conhecer a vossa verdade e a vivamos fielmente na caridade. Por Nosso Senhor.

