11 Abr 2026
Santo Estanislau, Bispo e Mártir (+1079)
Imagem do santo do dia

Há homens que representam uma nação porque souberam assimilar o seu espírito e o encarnaram na vida de cada dia. Se de alguém se pode afirmar isto, de certo que de Santo Estanislau se haveria de dizer que soube conhecer e, sobretudo, viver o temperamento e as virtudes do seu povo, a Polônia, que encarnou e procurou vivê-las e transmiti-las aos seus, morrendo mártir.

Seus pais levavam já nada menos do, que trinta anos sem ter filhos, quando lhes apareceu esta maravilhosa criatura. Pode-se imaginar a alegria que Estanislau trouxe àquele lar que já tinha perdido as esperanças de sucessão. Nasceu em Szczepanow, perto de Cracóvia, a 26 de Julho de 1030. Os pais que gozavam de muito boa reputação pela sua honradez e vida cristã, educaram-no nas virtudes cristãs e humanas. Nelas se via Estanislau progredir dia após dia. Terminados os estudos na terra natal, foi enviado a ampliá-los em Cracóvia e em Paris, onde conseguiu formar-se.

Assim o pinta um dos melhores historiadores polacos: "Era de caráter doce e humilde, pacífico e pudico; era muito cuidadoso em reprimir as próprias faltas, antes de o fazer às do próximo; era uma alma que jamais mostrou soberba nem se deixou levar pela ira; muito atento, de natureza afável, humano, de grande engenho e sabedoria, sempre disposto a ajudar quem precisasse. Odiava a adulação e a hipocrisia, mostrando-se sempre simples e de coração aberto".

A sua inclinação para a piedade levou-o a abraçar o sacerdócio, porque estava convencido que era aí que melhor podia servir o Senhor. Em breve veio a ser o sucessor do bispo de Cracóvia, Lamberto, que o tinha ordenado alguns anos antes.

A 2 de Julho de 1071, era elevado à sé de Cracóvia e, embora a tenha governado apenas oito anos, deixou marcas indeléveis nela e em toda a nação, como nenhum outro prelado havia deixado nem antes nem depois. Soube identificar-se com os valores espirituais da Polônia e por eles não hesitou em derramar o seu sangue.

Logo se deu conta o santo e valente prelado que o rei Boleslau que governava o país era um homem valente e corajoso, mas essas mesmas qualidades tinham-lhe subido à cabeça, julgando que era dono e senhor absoluto dos bens e das pessoas, e que podia fazer à vontade tudo quanto lhe apetecesse. Mas apareceu-lhe pela frente o valoroso Estanislau, e, com coragem evangélica, opôs-se tenaz-mente às suas injustas pretensões.

Não foi empresa fácil. O rei era colérico soberbo. Julgava-se dono e senhor de tudo. Cometia injustiças de toda a espécie contra os pobres polacos. A imoralidade era quase natural na sua pessoa. Como atacá-lo? Quem era ele para se opor aos desejos e obras do monarca? Estanislau viu que era o Bispo da capital, que era um dignitário da corôa, e que os seus filhos mais humildes eram perseguidos e humilhados, que a doutrina de Jesus Cristo não podia permitir tão iníqua vassalagem... Por isso, com o grande dom da fortaleza que enchia o seu espírito, com grande tacto, com bondade e ao mesmo tempo com fortaleza tratou de agir. Apresentou-se diante do rei e rogou-lhe que mudasse de comportamento, que não abusasse do seu poder... O rei enfureceu-se. Não quis escutá-lo, considerou-o seu inimigo, e jurou acabar com ele... Mas como? Estava o Bispo a celebrar a Eucaristia na igreja "Na Skalce", e ele mesmo entrou brutalmente por ali adentro, acompanhado da sua quadrilha, e assassi¬nou pessoalmente o santo prelado no ano de 1079.

O Senhor veio confirmar quanto lhe tinha agradado a vida e o martírio do seu fiel servidor, já que as suas relíquias operaram muitos milagres, como já o tinha feito em vida. Em 1253 era elevado às honras dor altares.

A memória litúrgica, que antes era facultativa, tornou-se obrigatória por disposição do Papa João Paulo que, antes de ser Papa, foi sucessor do Santo Mártir na sé de Cracóvia.