20 Mai 2026
São Bernardino de Sena, presbítero (+1444)
Imagem do santo do dia

São Bernardino nasceu em Sena em 1380. Filho de família nobre, ficou órfão muito cedo. Teve bons mestres e uma vasta formação. Mas foi a Virgem Maria quem sobretudo o tomou sob a sua proteção desde criança.

"Nasci no dia da natividade de Nossa Senhora. Na mesma festa entrei no convento, vesti o hábito franciscano, fiz os votos, celebrei a primeira missa e preguei o primeiro sermão. Ela me levará para a glória".

A sua ardente devoção a Maria faz que, apesar de ter um caráter meigo e sossegado, defenda a sua pureza com meios adequados. Um estudante libertino atreve-se a insinuar-lhe um dia uma proposta vergonhosa. Bernardino, rápido, estampa-lhe na cara uma sonora bofetada.

Uma mulher beata repetia-lhe com frequência: - Tem cuidado. Tens uma cara linda demais e um coração demasiado terno, que podem perder-te. Chegas tarde, tia, responde-lhe o jovem. Estou loucamente apaixonado pela donzela mais nobre e mais formosa de Sena. Não há outra igual. A senhora assusta-se, até se dar conta de que se referia à Virgem Maria.

Tinha estudado com afinco os clássicos. Serão para ele uma arma eficaz de apostolado. Aos vinte anos deixa os estudo para se dedicar aos empestados. Passa uns meses doente. Quando se recupera, entrega os bens aos pobres e toma o hábito franciscano.

A sua aspiração maior era dedicar-se à pregação. Com São Vicente Ferrer e o seu discípulo São João Capistrano, formarão o trio dos grandes pregadores da primeira metade do século XV. Uma pertinaz rouquidão dificultar-lha-á, mas - novamente a mão da Virgem - sente-se totalmente curado.

Deus tinha-o dotado com os melhores dotes para a pregação: ampla cultura, porte nobre, palavra de fogo, doçura e firmeza, o dom dos milagres, fama de santo. As multidões seguem-no sem se cansar de o ouvir.

Começa em Milão; a seguir toda a Itália o reclama. Pacifica discórdias, desperta amor à oração, move à penitência e à reforma de costumes. "Toda a Roma, escreve o futuro Pio II, acode a ouvi-lo". O mesmo Papa e os Cardeais são dos seus ouvintes mais assíduos.

É o iniciador do culto ao Santo Nome de Jesus, cujo anagrama estendeu e popularizou por meio de cartões, estampas, bandeiras, fachadas de edifícios. Sobre o Nome de Jesus, dizia João Paulo II, na sua viagem à Índia em 1986, louvando os cristãos de Kerala que têm o lindo costume de sussurrar este nome ao ouvido dos recém-nascidos: Santo costume, começar assim a vida e terminá-la, pronunciando este nome!

Não foi bem interfretada ao princípio esta devoção. Foi acusado de herege diante de Martinho V, que o manda meter num convento. Esclarecido da verdade, o Papa dá-lhe razão, oferece-lhe o bispado de Sena, a que renuncia o Santo por humildade, como mais tarde renunciará aos de Urbino e de Ferrara. Do que ele gostava era de percorrer aldeias e cidades, difundindo aquela devoção e incendiando os corações no amor a Jesus ê à Virgem.

Chamam-no de todas as partes e a todos os sítios acode sem demora nem descanso algum. Nesta vida peregrinante o surpreende a morte, exausto já de forças, na cidade de Áquila, a caminho de Nápoles. Era a 20 de Maio de 1444, véspera da Ascensão do Senhor.

Acabava de rever os seus Discursos sobre as Bem-aventuranças. O bom operário já podia descansar. E a Virgem Maria terá acompanhado na passagem o seu fiel amante. Nicolau V elevou-o à honra dos altares no ano de 1450.