16 Jan 2026
São Marcelo - Papa e Mártir (+309)
Imagem do santo do dia

Para os que não são crentes ou para os que não conhecem as promessas de Jesus, deve ser um fenômeno inexplicável a permanência ininterrupta dos sucessores de Pedro à frente da Igreja. No caso de São Marcelo houve um intervalo, devido às cruéis perseguições romanas que sofreu a Igreja, mas a barca de Pedro continuou a seguir o seu rumo.

São Marcelo 1 é o número trinta na série das papas. O seu pontificado foi muito curto, de 308 a 309. Porém mais longo que o de Marcelo II, no tempo de Santo lnácio de Loyola, que durou somente três semanas.

A Igreja tinha saído robustecida das perseguições do século III. Houve depois de Décio e Valeriano um tempo de tolerância que não durou muito. Diocleciano, no seu longo reinado, de 284 a 305, foi tolerante inicialmente. Todavia, no final, de 303 a 305, lançou uma violenta perseguição, a mais forte entre todas que tinham existido até então. O imperador publicou vários éditos de perseguição e nas diversas regiões do Império houve muitos mártires, entre eles o papa São Marcelino no ano 304.

Marcelo, que tinha querido acompanhar o papa no martírio, foi nas perseguições o grande animador da vida cristã pela sua caridade e zelo apostólico. A sua eleição como papa não pôde fazer-se até 308, segundo as fontes mais credíveis, quatro anos depois do martírio do papa São Marcelino. A triste situação da época impedia a reunião dos bispos que teriam de o eleger, pois embora Diocleciano tenha abdicado em 305, as dificuldades continuaram com o seu sucessor Maxêncio.

Os bispos compreenderam que Marcelo era o homem que as circunstâncias requeriam. A perseguição tinha atacado principalmente a organização da vida da Igreja. Tinha destruído os templos, queimado os livros sagrados, tinha conduzido à apostasia ou à morte, principalmente os sacerdotes. Fazia falta, pois, um homem de temperamento suave e forte, que restaurasse a disciplina e a hierarquia.

O novo papa construiu novos templos, consagrou bispos e sacerdotes, colocou 25 sacerdotes bem escolhidos em outras tantas Igrejas de Roma, estrategicamente situadas e fundou um novo cemitério, na Via Salaria, com a ajuda de uma nobre e rica matrona romana, Santa Priscila, que se dedicava a socorrer os mártires, que logo sepultava.

Um problema espinhoso tinha porém de enfrentar o papa. Eram os famosos "lapsi", que, por debilidade, se tinham afastado da Igreja a perseguição. Uns exigiam um rigorismo intransigente, outros uma indulgência demasiado branda. O papa impôs a sua autoridade. Abriu a Todos as portas da reconciliação; mas a todos exigiu a devida penitencia.

Alguns ainda consideraram o papa como demasiado rigoroso, o que originou distúrbios e revoltas em Roma e os chamados cismas romanos, semelhantes aos que surgiriam em África com os seguidores de Donato.

Com o pretexto de citadas revoltas, Maxêncio, o usurpador, que já se encontrava seguro, revoltou-se contra o papa. Segundo algumas tradições foi condenado ao desterro. Segundo outras fontes, foi primeiro cruelmente açoitado e depois condenado a cuidar de animais em cavalariças romanas. A piedosa matrona Lucila tinha-o protegido e Marcelo até teria escrito cartas aos bispos de Antioquia, convidando-os à união. Em Janeiro de 309 morria São Marcelo em silencioso martírio. O seu corpo foi sepultado no cemitério da sua fiel colaboradora Santa Priscila.