16 Mar 2026
São Raimundo de Fitero, monge (+1163)
Imagem do santo do dia

São Raimundo, "o São Bernardo espanhol", nasceu provavelmente em terras do Moncayo, em Terrazona, de cuja catedral foi cônego. Foi depois monge cistercience em França, donde passou a Niencebas como abade. O seu antigo bispo de Tarrazona, Dom Miguel, escreveu-lhe: "Faço esta doação a ti, Raimundo, antigamente filho desta nossa igreja, e agora abade de Niencebas".

Depois de assistir em Roma ao Capítulo Geral da Ordem de Cister, fica na abadia de Fitero, à qual unirá para sempre o seu nome. Aí pensava que terminaria a sua longa peregrinação.

Mas não foi assim. Sancho III, o Desejado, tinha ido em socorro de Toledo com toda a nobreza do seu reino: condes,capitães, cavaleiros, bispos, abades Espalhava-se uma notícia alarmante: os cavaleiros templários iam abandonar a fortaleza de Calatrava, que seria ocupada pelos sarracenos. Toledo estava em perigo.

lnteirado da situação, sentiu-se o abade Raimundo como que impelido interiormente, e crendo que o Senhor lhe pedia este serviço, dirigiu-se para Toledo com o monge Diogo Velasquez, para se oferecer ao rei.

O rei tinha oferecido a praça de Calatrava ao valente que tivesse a audácia de aguardar aí os muçulmanos. Ninguém se atrevia. Mas Diogo era um herói e o seu abade um santo. Encomendaram-se ao Senhor e ofereceram-se. Os meios, Deus lhos daria, porque a causa era boa.

Os cortesãos, envergonhados, faziam pouco de tão quixotesca aventura. De certo modo, tinham razão. O abade era perito em cantar salmos e transcrever manuscritos, mas não em manejar armas. Perante esta única oferta, entregou-se-lhes a praça. "E embora parecesse loucura, foi um êxito, como aprouve a Deus".

Raimundo pregou com fervor a cruzada. Reuniu até vinte mil homens nas margens do Ebro, para defender e habitar aquela comarca. Entretanto, Diogo, antigo guerreiro, organizava a resistência, treinava os cruzados, combatia os inimigos e salvava a praça.

Mas era preciso assegurá-la definitivamente, e é então que o abade realiza a grande obra. Com as suas numerosas hostes, meio monges, meio soldados, funda a Ordem Militar de Calatrava, leões em tempo de guerra, cordeiros em tempo de paz".

Raimundo foi proclamado Primeiro Grão Mestre da mesma Ordem. Vendo a boa organização e os seus êxitos, o Papa Alexandre III confirmou-a.

A Ordem de Calatrava continuaria a colher triunfos. E a disciplina mantinha-os sempre em forma. Como afirma Dom Rodrigo Ximénez de la Rada, "prova-os a constante disciplina e o culto do silêncio acompanha-os. Se a vitória os exalta, a prostração frequente humilha-os a vigília dobra-lhes o ânimo. A oração os instrui e o trabalho os exercita".

Depois de cinco anos de abade de Caiatrava, Raimundo retirou-se para a vila de Ciruelos, próximo de Ocaíia. Desde Cirueias, o Santo vigiava os monges cavaleiros e orava por eles nos dias de combate, como quando conquistaram Cuenca e recuperaram Alcaiz. No tempo de paz, infundia-lhes aquele espírito de fé que os faria vencedores nas lutas obscuras do claustro.

Em Ciruelos morreu o santo abade, e, como diz o Rei Sábio na Crônica Geral, "enterraram-no na dita vila e aí faz Deus milagres por ele.

As suas relíquias foram objeto de uma longa peregrinação, como era então frequente por causa das guerras e porque todos queriam tê-las. De Cirueios passaram ao mosteiro de Monte Sião de Toledo. Mais tarde foram veneradas em Fitero. Acabaram a sua peregrinação na catedral de Toledo, encerradas em preciosa urna, sobre a qual se apresenta vitoriosa a Cruz de Calatrava.