Uma estrela que, derramando a sua luz sobre o universo e comunicando o seu calor, mais ás almas do que aos corpos, fortalece a virtude e extingue o vício. Ela, repito, é aquela estrela resplandecente e brilhante colocada como farol necessário sobre o mar extenso e amplo da vida (sal 103,25), cintilando com virtudes, luminosa de exemplos para serem imitados.
Oh, quem quer que se aperceba durante esta existência mortal de que flutua em águas traçoeiras, á mercê dos ventos e das ondas, em vez de caminhar com segurança em terreno sólido, nunca afaste os olhos da luz deste farol, a não ser que deseje submergir-se na tempestade! Quando a tempestade da tentação vos assaltar, quando vos virdes arrastados para os rochedos da tribulação, erguei os olhos para a estrela, chamai por Maria. Quando acometidos pelas vagas do orgulho, da ambição, do ódio ou da inveja, erguei os olhos e chamai por Maria. Se a cólera, a avareza ou o desejo carnal invadirem violentamente a pequena embarcação da vossa alma, erguei os olhos e chamai por Maria.
S. Bernardo (séc. XII), Homilias

