Terço da mãe de família, da operária ou da camponesa, simples, sólido, usado há muito tempo, que ela talvez não possa tomar nas mãos senão á noite quando cansada da sua jornada, encontra ainda, na sua fé e no seu amor, a força de rezá-lo, lutando com o sono, por todos os que lhe são queridos, especialmente por aqueles que sabe expostos ao perigo na alma ou no corpo, que teme serem tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza afastarem-se de Deus.
Terço das Senhoras, talvez mais ricas, mas, com frequência, carregadas de preocupações e de angústias mais pesadas.
Terço do Pai de família, trabalhador e enérgico, que nunca se esquece de levar consigo o seu terço, junto com a canete e o caderno de apontamentos dos seus negócios, grande professor, engenheiro de renome, clínico célebre, advogado eloquente, genial artista, agrónomo experimentando, - não se envergonha de o rezar com devota simplicidade nos breves momentos roubados á tirania do trabalho profissional para ir retemperar a sua alma cristã numa igreja aos pés do Sacrário.
Terço dos velhinhos, velha avózinha, que faz deslizar incessantemente as contas nos seus dedos endurecidos, no fundo da igreja, enquanto se pode arrastar até lá com suas pernas entorpedecidas ou durante as longas horas de imobilidade forçada numa cadeira no canto da lareira. Velha tia que consagra todas as suas forças ao bem da família e agora, ao aproximar-se o termo da vida toda gasta em boas obras, alterna, incansável na sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar com as numerosas Ave-MArias que reza sem descanso. (8.10.1941)

