Uma sólida tradição da piedade católica, supõe que a primeira aparição de Cristo ressuscitado tenha sido a sua Mãe. Olier refuta-a pensa, pelo contrário, que Maria, já transportada para um mundo invísivel, gozava de um modo ainda mais sublime da presença de Jesus. Nós não o seguiremos e permaneceremos fiéis à idéia de Santo Inácio e dos seus predecessores.Se desde a manhã de Pascoa, Jesus se manifesta aos seus na sua humanidade glorificada, como supor que Maria não tenha sido a primeira a gozar destas aparições?... A noite ia alta ou estava já no fim. De repente, o aposento enche-se de luz. Será um anjo de Deus? Será Gabriel, mensageiro de uma nova anunciação? não, o pressentimento materno fez-lhe intuir a presença de Jesus. Ele está nela pela fé, e ela nunca cessou de estar unida com Ele. E de repente, ei-lo! É sempre o Jesus de Belém, de Nazaré e das breves aparições do tempo de apostolado. Mas é também o Jesus da Cruz, trazendo nas mãos e nos seus pés os sinais do cravos que o tinham crucificado. Traços gloriosos,de um vermelho fulgurante, mas indeléveis como os que os sofrimentos do Filho tinham deixado no coração da Mãe. Os olhos de Maria fixam-se no rosto de Jesus. Já não há sangue, nem escarros, nem tumefacções; todo ele está radiante de luze, ao mesmo tempo, mais humano do que nunca.
Henri Rondet, Oh Vous Mère du Sauveur

