Jesus vinha tão formoso, tão alegre, tão cheio de luz e majestade, que não há palavras nem semelhanças nem espécies nem conceitos com que poder declarar-se. Certo é que a não serem os sentidos da Virgem confortados milagrosamente, não poderiam sustentar a grandeza de tal objeto.
Mas qual seria a primeira palavra com que o Senhor a saudou? Consideram alguns comtemplativos que foi esta: Maria, minha Mãe!
E certamente não parece podia ser mais breve, mais clara e mais doce que esta. Oh que língua humana ou angélica pode explicar a alegria, a exultação e júbilo do espírito da Virgem, neste passo? Primeiro se prostaria a seus pés e toda sumida em seu próprio nada, que sempre trouxe presentíssimo, adoraria e confessaria a seu Deus e aquela santíssima Humanidade. Logo seria levantada ao abraço e ósculo daquelas chagas que pouco havia vira manar rios de sangue e agora via verter mares de luz e de consolação. Dizei-nos, ó Santíssima, que é do vosso pranto, que é da vossa amargura e soledade? Onde estão agora as espadas que traspassam o vosso coração compassivo? Convertem-se em emissões do paraíso e em consolações divinas que o inundaram.
Padre Mauel Bernardes, Meditações sobre os principais Mistérios da Virgem Santíssima Senhora Nossa,

