Seguindo com os compromissos de sua viagem apostólica à França, o Papa Leão XIV visitou a Catedral de Notre-Dame nesta sexta-feira, 25. Lá, o Pontífice encontrou-se com os bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas e consagrados do país para a celebração das Vésperas.
Em sua homilia, o Santo Padre recordou o incêndio que atingiu um dos principais pontos de Paris. Em 15 de abril de 2019, a catedral, que sempre convidou os fiéis a erguer os olhos para o céu, levou-os a repetir esse gesto frente à tragédia, reconhecendo a impotência humana perante o imprevisível.
“Naquela hora dramática, percebemos que Notre-Dame é mais do que um monumento. A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram”, afirmou Leão XIV.
O Papa expressou sua alegria por visitar a catedral e encontrar-se com os presentes, sublinhando que o simples fato de entrar na igreja coloca cada pessoa diante de uma beleza que fala ao inquieto coração humano e o convida à paz. “Ao devolver este espaço a toda a humanidade, compreendemos bem até que ponto cada visitante pode deixar-se regenerar pelo que vê, escuta e experimenta”, observou.
Presença missionária
Em seguida, o Pontífice salientou o lugar central da Encarnação na fé católica. Não é preciso ter medo, pois Deus enviou seu próprio Filho ao mundo, já marcado pelas misérias e pela bondade do ser humano. “O caminho da Cruz certamente revela as trevas que atravessam o mundo, mas revela, de forma mais radical, o amor de Deus que triunfa sobre a morte”, apontou.
É a partir da Encarnação, prosseguiu o Santo Padre, que decorre a identidade da Igreja, chamada a estar sempre “em saída”. A comunidade cristã não é um refúgio onde os fiéis se retiram para se protegerem do próprio tempo, mas oferece um espaço de acolhimento, respeito, revelação e sentido para todos.
“Aqui reside a força de uma Igreja viva: acolher a periferia, que já se encontra no seu coração; o distante, que, na realidade, já está próximo; o estrangeiro em quem Cristo já bate à porta”, destacou Leão XIV.
Se Notre-Dame é o símbolo deste encontro, pontuou, as outras cidades e regiões do país, mesmo as mais periféricas e rurais, também são transfiguradas pela presença missionária. Neste contexto, o Papa convidou os religiosos a valorizar os fiéis leigos, que “são a viva linha de frente da Igreja nas encruzilhadas do mundo cotidiano”.
Liturgia
Prosseguindo com sua homilia, o Pontífice destacou a dimensão litúrgica do templo, local de oração e louvor a Deus. “A catedral não é um embrulho de pedra para admirar: ela vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado. Despojada da ação litúrgica, perderia a sua alma”, salientou, “é um corpo que, ao celebrar, narra a quem quer que seja a razão pela qual existe”.
Em uma época que parece desprovida de plenitude, profundidade e promessas, a simplicidade do canto, da palavra e do gesto litúrgico pode representar, para muitos, uma “fresta de esperança, um oásis de paz em uma sociedade hiperconectada e barulhenta”.
“A celebração do ano litúrgico, dos domingos e das festas, faz também de nós contemporâneos de Cristo, atentos aos diferentes momentos da sua vida entregue inteiramente ao Pai em favor do mundo. Tornamo-nos, desse modo, mais sensíveis e abertos aos sinais dos tempos”, refletiu o Santo Padre.
Após ressaltar que o ânimo vem da esperança e não da resignação, Leão XIV pediu zelo para que as celebrações litúrgicas sejam sempre vividas com dignidade e decoro, mesmo nos locais onde se reúnem pequenas comunidades. “A alegria eucarística afirma-se e difunde-se onde a harmonia é reencontrada, onde a dignidade renasce, onde a autoridade se torna serviço, onde a liberdade se coloca em caminho. É o maior dom que podemos partilhar”, frisou.
Vida interior e oração
Aproximando-se do fim de sua homilia, o Papa agradeceu os bispos, presbíteros, seminaristas e consagrados que, chamados a seguir Cristo, responderam com fidelidade ao Senhor. “Nunca negligencieis essa amizade desejada pelo Senhor, que deve ser cultivada na oração pessoal, fundamento essencial de toda vocação”, exortou.
O Pontífice incentivou os religiosos a cuidarem de sua vida interior com o Senhor, uma vez que a missão parte, acima de tudo, da relação íntima com Jesus. Da mesma forma, animou-os a permanecerem sempre acolhedores àqueles que visitam a catedral, compreendendo que a hospitalidade é parte de sua própria existência.
“Esta catedral renasceu para que possais renascer com ela num impulso de santidade e de missão quotidiana. No meio do vosso povo, sede a expressão límpida da maternidade divina da Igreja que, ao testemunhar o amor de Deus, recompõe e cura a família humana”, concluiu o Santo Padre.
Fonte: Canção Nova







