Enquanto a França finaliza os preparativos para a visita do papa Leão XIV, a expectativa cresce no país, que, segundo um cardeal francês, resiste à secularização.
Cerca de 600 mil pessoas se inscreveram para a missa papal ao ar livre na praça da Concórdia e na avenida Champs-Élysées antes do encerramento das inscrições na última quarta-feira (18), segundo o arcebispo de Paris, Laurent Ulrich. A inscrição era incentivada, mas não obrigatória. A enorme procura obrigou os organizadores a expandir o perímetro de segurança muito além da área originalmente prevista.
“Vocês responderam em grande número ao convite do Santo Padre para virem rezar com ele”, disse Ulrich num comunicado.
A procura cresceu rapidamente: quando as inscrições foram abertas em 10 de agosto, cerca de 200 mil pessoas se inscreveram para a missa em Paris nas primeiras horas. Todas as 80 mil vagas para a vigília da juventude no Stade de France, em 25 de setembro, foram preenchidas em poucas horas. Cerca e 300 mil inscrições foram registradas nos dois eventos em Paris nas primeiras 24 horas, segundo a agência de notícias católica Zenit .
O general Hervé Wattecamps, coordenador-geral nomeado pela arquidiocese de Paris, disse à imprensa francesa que 8 mil novos cadastros estavam chegando diariamente na reta final.
A diocese criou uma gigantesca área de contenção para as pessoas se reunirem, que se estende da place de l’Étoile ao longo da avenida de la Grande-Armée em direção a Porte Maillot.
O site oficial da visita papal (link em francês)confirma que a missa continua agendada para as 15h (10h no horário de Brasília) de 26 de setembro. Os portões abrirão às 9h e o papa Leão XIII está programado para chegar à avenida Champs-Élysées às 13h45 (8h45 no horário de Brasília), horário local.
O arcebispo de Marselha, França, cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), disse a jornalistas que o nível de interesse demonstra que a França “resiste à secularização”, citando o que chamou de “novo ímpeto de neófitos e catecúmenos”.
Passar o prato para pagar a conta
A Conferência Episcopal Francesa (CEF) estimou o custo total da visita do papa Leão XIV, entre 25 e 28 de setembro, em € 27 milhões (cerca de R$ 158,7 milhões), bem acima das estimativas iniciais.
Uma campanha nacional de arrecadação de fundos foi lançada no verão e já angariou € 5,5 milhões de euros (cerca de R$ 32,3 milhões), restando, assim, um déficit de € 21,5 milhões de euros (cerca de R$ 126,3 milhões). A CEF disse que a campanha continuará por toda a visita.
O Estado francês fornece forças de segurança e serviços públicos, mas não oferece apoio financeiro ou financiamento direto.
Em vez disso, segundo o Vatican News, serviço de informações da Santa Sé, as fontes de financiamento abrangem patrocínios corporativos, a venda de mercadorias e doações dos fiéis através do site da conferência episcopal pape-france.fr (link em francês).
O modelo de financiamento contrasta com o financiamento da Jornada Mundial da Juventude de 2027 em Seul, Coreia do Sul: o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul lidera uma força-tarefa interinstitucional de apoio governamental, junto com um comitê organizador local liderado pela Igreja. Na França, bispos estão passando o prato da oferta.
Para além de Paris, um legado europeu
Fora da capital, a visita apostólica tem duas paradas: Lourdes e Metz.
Em Lourdes, o papa celebrará missa no santuário mariano em 27 de setembro. Ele também se reunirá em particular com sete sobreviventes de abuso, segundo o Vatican News.
A visita se encerra em 28 de setembro com uma missa em Metz, cidade histórica na região da Lorena, no nordeste da França, que passou pelas mãos da França e da Alemanha ao longo de três guerras e duas anexações.
O arcebispo de Metz, França, Philippe Ballot, disse ao Vatican News : “A fronteira não é mais um lugar de separação, mas um lugar de encontro”.
O papa Leão XIV vai discursar no Centro Robert Schuman, que recebeu o nome do estadista católico que o papa Francisco declarou venerável em 2021.
Fonte: ACI Digital






