Daqui a exatos 365 dias, jovens de todo o planeta estarão reunidos em Seul para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Enquanto o dia 3 de agosto de 2027 não chega, fica a expectativa pelas experiências que serão vividas na Coreia do Sul.
Brasileira que mora no país há nove anos, Marcella Bezerra destaca que a comunidade católica sul-coreana está se preparando para receber os peregrinos. Vários pré-eventos estão acontecendo, jovens que participaram de outras JMJs compartilham suas experiências e padres falam sobre o assunto nas Missa, gerando mais expectativa.
A criadora de conteúdo observa que os jovens sul-coreanos têm um jeito diferente de viver a sua espiritualidade, especialmente se comparados aos brasileiros. “No geral, eles são mais reservados e introspectivos. Por isso, acredito que a JMJ 2027 aqui vai gerar uma troca cultural muito rica”, aponta.
Segundo Marcella, esse intercâmbio leva todos os povos a ganhar. “Eu penso que a Coreia vai aprender a ‘se soltar mais’ e ser um pouco mais extrovertida quando receber jovens que praticam a fé em outros países. Nós latinos, por exemplo, somos bem expansivos e demonstramos amor com muito fervor. Por outro lado, os coreanos podem nos ensinar a ser mais respeitosos e sérios quando o momento exige que assim seja”, indica.
Preparação na Coreia do Sul
Missionária da Comunidade Católica Shalom, Vitoria Oyama foi enviada para a Coreia do Sul a fim de atuar no Comitê Organizador Local (COL) da JMJ 2027. “Mais do que uma escolha pessoal, reconheço esse envio como uma iniciativa de Deus, que chamou a mim e à Comunidade para participar desse momento histórico da Igreja na Ásia”, expressa.
Junto de outros três irmãos de comunidade, a missionária tem testemunhado a preparação coreana para esse grande evento. “Estão sendo desenvolvidas campanhas, programas de formação e iniciativas para mobilizar famílias, paróquias e comunidades que possam receber os peregrinos durante a JMJ”, aponta.
Vitoria enfatiza que a Igreja na Coreia do Sul tem uma dimensão muito particular: apesar de ser uma Igreja viva e com uma bela história de testemunho, o país é majoritariamente não cristão. Além disso, muitos jovens enfrentam uma rotina muito intensa de estudos e preparação profissional, o que influencia sua participação nas atividades paroquiais.
“A preparação, portanto, não envolve apenas estruturas físicas, mas principalmente a preparação do coração das pessoas. A grande expectativa é que os peregrinos não sejam vistos apenas como visitantes, mas como irmãos na fé que chegam para viver uma experiência de comunhão com a Igreja coreana”, afirma a missionária.
Expectativa para a JMJ 2027
Segundo Vitoria, a expectativa atual é de receber aproximadamente 500 mil peregrinos registrados para a JMJ Seul 2027 (a previsão é que as inscrições sejam abertas neste segundo semestre). “Para a Missa de Envio com o Santo Padre, espera-se a participação de cerca de 1 milhão de pessoas, incluindo peregrinos internacionais, jovens coreanos e fiéis locais”, observa.
Devido à sua localização geográfica, a Coreia do Sul representa uma oportunidade muito especial para a participação dos países asiáticos. “Espera-se uma presença significativa de jovens de nações próximas, como Filipinas, Vietnã, Taiwan, Japão, Tailândia, Indonésia e outros países da Ásia”, exprime a missionária.
A JMJ 2027 será a segunda edição do evento no continente asiático. A única outra vez aconteceu em 1995, na JMJ de Manila, nas Filipinas, marcada por um grande número de participantes, especialmente na Missa de envio — mais de 5 milhões de fiéis participaram da celebração.
Além disso, essa será a primeira vez que uma JMJ acontece em um país em que os cristãos não são maioria. “Essa realidade torna a JMJ Seul 2027 um sinal de esperança e de encontro entre culturas, mostrando que Cristo continua chamando os jovens de todos os povos”, conclui Vitoria.
E o Brasil?
O bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Vilsom Basso, comenta o trabalho que tem sido realizado no país em preparação para a JMJ 2027.
Segundo o bispo, a comissão tem a tarefa de divulgar esse grande evento e estimular os regionais e as dioceses a participarem da JMJ. Neste contexto, cita o evento que acontecerá nesta segunda-feira, 3, no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), e uma reunião que contará com a participação de conferências episcopais do mundo inteiro na Coreia do Sul, em setembro, e da qual ele participará.
Dom Vilsom Basso considera que a participação na JMJ 2027 é um grande desafio, sobretudo por ser realizada na Ásia, mas enfatiza a busca dos fiéis que desejam participar. “É uma outra cultura, uma outra realidade, e que os jovens e assessores farão o máximo, buscarão todos os meios para poderem participar”, assinala.
O bispo, que participa das JMJs desde a edição de 2011, na Espanha, frisa que conhecer uma outra cultura, tendo contato com jovens que creem em Jesus em uma outra realidade, é um dos principais frutos do evento. “A JMJ não passa em branco. Ela provoca uma experiência profunda no coração daqueles que têm a oportunidade de participar, e a JMJ na Coreia do Sul é uma grande novidade que também trará muitos frutos para a juventude do Brasil”, conclui.
Fonte: Canção Nova







