A Santa Sé divulgou, nesta quarta-feira, 25, a mensagem do Papa Leão XIV para o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, cujo tema é “A descoberta interior do dom de Deus”. A data, celebrada no 4º Domingo da Páscoa (conhecido como “Domingo do Bom Pastor”), neste ano será comemorada em 26 de abril.
Refletindo sobre algumas dimensões específicas, o Santo Padre aborda primeiramente a beleza. Ele recorda que, no Evangelho de São João, Jesus se define como o “pastor belo”. Tal expressão, explica Leão XIV, indica um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando assim o amor de Deus.
“É o Pastor que deslumbra: quem olha para Ele descobre que, seguindo-o, a vida é realmente bela. Para conhecer esta beleza, não bastam apenas os olhos do corpo ou critérios estéticos: são necessárias a contemplação e a interioridade. Só quem se detém escuta, reza e acolhe o seu olhar pode dizer com confiança: ‘Acredito n’Ele, com Ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza’”, expressa o Papa.
Transfigurados pela beleza de Cristo
Segundo o Pontífice, na medida em que alguém se torna discípulo de Jesus, também torna-se belo pela beleza do Cristo que o transfigura. Essa é uma das características que distinguem os santos: a luminosa beleza espiritual que irradia de quem vive em Cristo. “Assim, a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza”, observa o Santo Padre.
Ele pontua que tal relação com Jesus constrói-se na oração e no silêncio. Neste contexto, o Papa convida todos a se empenharem cada vez mais em criar ambientes favoráveis para que este dom possa ser acolhido, alimentado, protegido e acompanhado. “Somente se os nossos ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo”, frisa.
Intimidade com Deus
Em seguida, o Pontífice enfatiza a dimensão do conhecimento recíproco. Ele salienta que cada vocação só pode começar a partir da consciência e da experiência de um Deus que é Amor. “Somos convidados a conhecer Deus através da oração, da escuta da Palavra, dos Sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs”, sinaliza.
“Nós devemos criar espaços de silêncio interior para intuir o que o Senhor deseja para a nossa felicidade”, prossegue o Santo Padre. “Não se trata de um saber intelectual abstrato ou de um conhecimento erudito, mas de um encontro pessoal que transforma a vida. Deus habita no nosso coração: a vocação é um diálogo íntimo com Ele.
Leão XIV recomenda que os jovens invistam tempo na adoração eucarística e na meditação da Palavra de Deus e participem ativa e plenamente da vida sacramental. “Desta forma, conhecereis o Senhor e, na intimidade própria da amizade, descobrireis como doar-vos (…): cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria. Conhecer o Senhor significa, antes de tudo, aprender a confiar n’Ele e na sua Providência, que superabunda em cada vocação”, orienta.
Confiança no Ressuscitado
Prosseguindo, o Pontífice destaca que do conhecimento nasce a confiança, essencial tanto para acolher a vocação como para perseverar nela. “A vida, efetivamente, revela-se como um contínuo confiar e abandonar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”, afirma.
Leão XIV recorda o Jubileu da Esperança, vivido ao longo do último ano e que ensinou a necessidade de cultivar uma confiança sólida e permanente nas promessas de Deus, sem nunca ceder ao desespero, superando medos e incertezas.
“O Ressuscitado é o Senhor da história do mundo e da nossa história pessoal: Ele não nos abandona nas horas mais sombrias, mas vem dissipar com a sua luz todas as nossas trevas. E é precisamente graças à luz e à força do seu Espírito que, mesmo através de provações e crises, podemos ver a nossa vocação amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza d’Aquele que nos chamou, uma beleza feita de fidelidade e confiança, apesar de nossas feridas e quedas”, escreve o Papa.
Vocação, caminho a percorrer
Aproximando-se do fim de sua mensagem, o Pontífice sinaliza que a vocação não é uma meta estática, mas um processo dinâmico de amadurecimento, favorecido pela intimidade com o Senhor. “Toda a nossa existência deve constituir-se num vínculo forte e essencial com o Senhor, de modo a tornar-se uma resposta cada vez mais plena ao seu chamamento, através das provações e das inevitáveis podas”, afirma.
Enfatizando a importância do discernimento e da reflexão à luz do Espírito Santo para que a vocação se realize em toda a sua beleza, o Santo Padre escreve que a vocação é um caminho que se desenvolve de forma análoga à vida humana. Nele, o dom recebido, além de ser guardado, deve alimentar-se de uma relação quotidiana com Deus para poder crescer e dar fruto.
“Caríssimos jovens, encorajo-vos a cultivar a relação pessoal com Deus através da oração diária e da meditação da Palavra. Parai, escutai, confiai: deste modo, o dom da vossa vocação amadurecerá, far-vos-á felizes e dará abundantes frutos para a Igreja e para o mundo”, conclui Leão XIV.
Fonte: Canção Nova








