Nesta quarta-feira, 18, o Papa Leão XIV recebeu em audiência os participantes da Conferência “Hoje quem é o meu próximo?”, promovida pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – Região Europa e pela Conferência Episcopal Italiana (CEI).
No início de seu discurso, o Pontífice falou sobre o segundo “Relatório Europeu da OMS sobre o Estado da Equidade em Saúde”, um documento que chama a atenção para situações vivenciadas por muitas pessoas na Europa, como a pobreza, a solidão e o isolamento.
“Em muitos países, as desigualdades no campo sanitário estão aumentando: menos pessoas têm acesso aos serviços disponíveis”, alertou o Santo Padre. “É preciso também dar atenção urgente à saúde mental das pessoas, especialmente dos jovens, porque as feridas invisíveis da psique não são menos graves do que as visíveis”, acrescentou.
Saúde, condição para a paz
Leão XIV destacou que “a saúde não pode ser um luxo para poucos, mas é uma condição essencial para a paz social”. Ele pontuou que a cobertura universal de saúde não é apenas uma meta técnica a ser alcançada, mas um imperativo moral para as sociedades que desejam se considerar justas.
“A proteção e a assistência médica devem ser acessíveis aos mais vulneráveis, pois isso é exigido por sua dignidade e também para evitar que uma injustiça se torne a semente de conflito”, acrescentou o Papa. Neste contexto, a pergunta que norteia o encontro pede a todos que respondam de forma concreta e oportuna — as respostas são diferentes em cada situação, mas o convite a estender a mão aos outros permanece inalterado.
O Pontífice recordou a passagem no livro do Gênesis em que Deus pergunta a Caim onde estava o seu irmão, ao passo que ele responde: “Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Segundo o Pontífice, a resposta está na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37): “sim, você é o guardião do seu irmão, porque você foi chamado para proteger a humanidade dele”.
Ir ao encontro dos que sofrem
Recordando a carta encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, o Santo Padre exortou os fiéis a irem ao encontro daqueles que sofrem, embora “a distância, a distração e o costume de ver a violência e o sofrimento alheio nos levem à indiferença”.
“Todo homem — especialmente os cristãos — é chamado a fixar o olhar naquele que sofre, na dor das pessoas sozinhas, naqueles que, por diversas razões, são marginalizados e ‘descartados’, porque sem eles não poderemos construir sociedades justas, à medida da pessoa”, afirmou Leão XIV.
O bem só se alcança na união
Ao final de sua fala, o Papa expressou que é uma ilusão pensar que, ignorando esses irmãos e irmãs, seja mais fácil alcançar a felicidade.
“Somente juntos podemos construir comunidades solidárias e capazes de cuidar de cada pessoa, nas quais o bem-estar e a paz se desenvolvam, para o benefício de todos. Cuidar da humanidade dos outros ajuda a viver a nossa própria”, concluiu.
Fonte: Canção Nova







